Archive for: Novembro 10th, 2017

Bruno Vitorino reafirma que «quem ganha governa»

PSD ao aceitar pelouros reafirma disponibilidade para trabalhar pelo Barreiro


“Mas quem ganha sem maioria absoluta tem que dialogar. O PSD não é, nem nunca foi, adversário do Barreiro. Recusamos sempre políticas de terra queimada. Pretendemos sim trabalhar pelo concelho. Por isso sempre estivemos disponíveis para aceitar pelouros, desde que também sejam dadas condições para trabalhar nessas áreas”, afirma Bruno Vitorino.

O presidente do PSD Barreiro e vereador na Câmara Municipal, Bruno Vitorino, diz que os eleitos social-democratas “estão hoje, como sempre estiveram, disponíveis para trabalhar pelo Barreiro e para os barreirenses”.
Bruno Vitorino reafirma que “quem ganha governa”, respeitando os resultados eleitorais e a vontade dos barreirenses.
“Mas quem ganha sem maioria absoluta tem que dialogar. O PSD não é, nem nunca foi, adversário do Barreiro. Recusamos sempre políticas de terra queimada. Pretendemos sim trabalhar pelo concelho. Por isso sempre estivemos disponíveis para aceitar pelouros, desde que também sejam dadas condições para trabalhar nessas áreas”, afirma.
Contudo, garante que “não passa cheques em branco”, pois os mesmos que deram a maioria ao PS na autarquia, também votaram no PSD para estar no executivo a fiscalizar a atividade da Câmara Municipal.
“Estamos disponíveis para trabalhar, mas não deixaremos de ser uma oposição forte, mas construtiva, uma voz atenta aos problemas do Concelho”, sublinha.

Bruno Vitorino diz ainda querer clarificar que “não há acordos nem coligação, mas sim a procura de pontes, diálogo e entendimento”, dando como exemplo a disponibilidade do PSD para integrar os executivos das juntas de freguesias.
O social-democrata informa que se disponibilizou para trabalhar num conjunto de áreas para as quais entendia que o seu contributo ajudaria o concelho, como as atividades económicas, turismo, ação social, desporto, sustentabilidade ambiental, entre outras. “As áreas que aceitámos foram aquelas que o presidente da CMB entendeu propor, e que eu aceitei. Como sabem decorre da lei ser essa uma competência do presidente”.

Por último, Bruno Vitorino afirmou que não vai “deixar cair” aquilo que foram as suas propostas eleitorais. “Muitas destas propostas voltarão a ser apresentadas. Esperamos, em diálogo, que algumas possam vir a ser aceites. O PS ganhou, mas não teve maioria absoluta, por isso terá que dialogar. Nós estamos disponíveis para dialogar, por isso esperamos que o PS também esteja”.

Fonte – PSD

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Almada – Incêndios em autocarros da TST CDS-PP questiona regulador

10 de Novembro 2017


Os deputados do CDS-PP perguntam quantas ações de fiscalização à TST foram efetuadas pela AMT nos últimos dois anos e que avaliação foi feita acerca do respeito pelo contrato de concessão, se a AMT tem conhecimento de que os autocarros da empresa TST se têm incendiado e que diligências vão ser tomadas por parte da AMT no sentido de ultrapassar esta situação que coloca em causa a segurança dos passageiros.
Os deputados do CDS-PP Nuno Magalhães, Hélder Amaral e Pedro Mota Soares questionaram hoje a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) sobre incêndios em autocarros da TST – Transportes Sul do Tejo.

No Requerimento enviado ao regulador, os deputados do CDS-PP pergunta quantas ações de fiscalização à TST foram efetuadas pela AMT nos últimos dois anos e que avaliação foi feita acerca do respeito pelo contrato de concessão, se a AMT tem conhecimento de que os autocarros da empresa TST se têm incendiado e que diligências vão ser tomadas por parte da AMT no sentido de ultrapassar esta situação que coloca em causa a segurança dos passageiros.

Nos últimos meses têm ocorrido vários acidentes com autocarros de passageiros da empresa TST, que operam na margem sul, nomeadamente no concelho de Almada.
Nomeadamente, têm-se verificado incêndios nos veículos da TST, que consubstanciam um problema de extrema gravidade e colocam em causa a segurança dos passageiros, cada vez mais insatisfeitos com o serviço.

A AMT tem como funções, entre outras, a regulação e fiscalização do setor da mobilidade e dos transportes terrestres, bem como assegurar que os direitos e interesses da população, em matéria de mobilidade, transportes terrestres e infraestruturas rodoviárias, são cumpridos.

Neste âmbito, compete à AMT a supervisão dos contratos de concessão e subconcessão da infraestrutura rodoviária e, nomeadamente, a fiscalização do cumprimento das obrigações legais pelos operadores dos setores regulados de serviço público de transportes.

Fonte – CDS/PP

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Apreendidas 7 toneladas de peixe em Sesimbra

Pescado apreendido ia para a Figueira da Foz, onde seria vendido para fora do País.

No Porto de Sesimbra foram apreendidas mais de sete toneladas de peixe, na sexta-feira, segundo a Autoridade Marítima Nacional. A operação, desenvolvida pela Polícia Marítima de Setúbal, ocorreu em duas fases. A primeira apreensão ocorreu por volta das 10h30 da manhã, durante uma fiscalização a uma embarcação acabada de atracar. “Foi uma ação de rotina, não houve qualquer denúncia. Acabámos por detetar excesso de biqueirão, ultrapassando em mais de uma tonelada e meia o limite permitido por lei, que ronda os 3500 quilos (165 cabazes)”, disse ao Correio da Manhã Luís Lavrador, Capitão do Porto de Setúbal. A segunda apreensão aconteceu por volta das 19h00, quando foi verificado um camião de uma empresa de congelados que se encontrava a carregar pescado. “Houve uma suspeita por parte dos agentes, porque viram que estava a ser carregado muito peixe. Pediram aos elementos que operavam no camião as guias correspondentes ao pescado, que referiam 5340 quilos de biqueirão. Na verdade estavam a ser carregados 10 980 quilos deste peixe”, afirmou o comandante da Polícia Marítima. As sete toneladas de biqueirão apreendidas foram vendidas na lota de Sesimbra. O produto da venda, superior a onze mil euros, reverteu para os cofres do Estado. Sabe o CM que a maioria do pescado teria como destino a Figueira da Foz, onde um comprador estrangeiro o receberia e faria sair do País.

O biqueirão é um peixe muito associado à região da Andaluzia, em Espanha. É conhecido popularmente como ‘boquerone’. Uma das receitas mais populares é o biqueirão frito.

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Governo espera estudo até ao fim do ano para renovar frota da Transtejo e Soflusa

LUSA 8 de Novembro de 2017, 20:04

Objectivo da reestruturação é ter uma frota mais “homogénea, suficientemente grande” para ter navios de reserva, e que seja eficiente do ponto de vista ambiental.

Pedro Cunha

O Governo encomendou um estudo da viabilidade da renovação da frota das transportadoras fluviais Transtejo e da Soflusa, que deve estar pronto durante o próximo mês, revelou esta quarta-feira o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente.

José Mendes respondia a questões dos deputados acerca dos problemas verificados nas últimas semanas nestas duas empresas de transporte público de Lisboa, numa audição conjunta nas comissões do Orçamento e Finanças, de Economia, Inovação e Obras Públicas e de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, no âmbito da apreciação, na especialidade, da proposta de Orçamento do Estado para 2018.

“Sabemos que o problema de fundo tem a ver com a heterogeneidade e exiguidade da frota da Transtejo e da Soflusa. Essa é que é a questão. Significa que estamos a operar nalgumas linhas praticamente sem navios de reserva e, quando temos uma frota com uma idade média acima dos 20 anos, isso significa que há problemas que acontecem com uma certa frequência e, quando perdemos um navio de reserva, estamos bastante mais vulneráveis”, explicou o secretário de Estado.

José Mendes afirmou que “há uma solução estrutural” para esta realidade, que passa pela renovação da frota.

“Está em elaboração – espero obtê-lo até ao final do ano, é esse o calendário que está definido – um plano para a reestruturação da frota que nos traga duas ou três novas realidades que nos permitam viver de uma forma mais desafogada”, revelou.

O governante destacou ainda que os objectivos deste plano são “uma frota mais homogénea, suficientemente grande” para ter navios de reserva, e também eficiente do ponto de vista ambiental.

“Esperamos ter este estudo de viabilidade económico-financeira no próximo mês e, nessa altura, vamos ter de trabalhar” para uma solução nas duas empresas, realçou, acrescentando que esta solução “custará sempre umas dezenas de milhões de euros”.

José Mendes recusou ainda acusações de degradação do serviço dos transportes públicos em Lisboa e no Porto, salientando que, entre Janeiro e Setembro deste ano, quando comparados com o período homólogo do ano passado, a procura do Metro de Lisboa cresceu 6,3%, no Metro do Porto 4,8%, na STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto) 5,5% e na Transtejo e Soflusa 4,2%.

A Transtejo é a empresa responsável pelas ligações do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão a Lisboa, enquanto a Soflusa faz a ligação entre o Barreiro e a capital.

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Vizinhos da Siderurgia queixam-se dos seus pulmões negros a Bruxelas e a Marcelo

10 de Novembro 2017

Moradores de Paio Pires dizem viver na “terra da morte lenta”, sujeitos a descargas poluentes 365 dias por ano e queixam-se de abandono por parte do Estado e da autarquia.


FRANCISCO ALVES RITO 8 de Novembro de 2017, 6:50
Um grupo de moradores de Paio Pires, no concelho do Seixal, está a preparar uma queixa às instituições comunitárias por alegados crimes ambientais e contra a saúde pública decorrentes da actividade da antiga Siderurgia Nacional, hoje SN-Seixal, SA, e pertencente ao grupo espanhol Megasa, confirmou um dos membros ao PÚBLICO. E também já escreveram ao Presidente da República.

“Vamos pedir à Comissão Europeia que verifique se a legislação comunitária, designadamente as directivas sobre esta matéria, que foram transpostas para o direito nacional, estão a ser cumpridas em Portugal e neste caso”, diz João Carlos Pereira, do movimento Os Contaminados.

Segundo a mesma fonte, a “extensa exposição” a apresentar em Bruxelas está em fase de conclusão e “apenas pendente de respostas a questões colocadas à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e outras instituições”. Será “fundamentada em provas documentais e testemunhais sobre os crimes ambientais aqui ocorridos, e que apenas resultam de uma estranha passividade dos órgãos do poder político, principalmente aqueles que tutelam a actividade da empresa: os ministérios da Economia e do Ambiente”.
O movimento aponta o dedo à “enorme condescendência” da APA, “que se atreveu a renovar a licença ambiental à SN Seixal sem estudos epidemiológicos feitos a uma comunidade onde se sucedem os casos de carcinoma de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crónica, para além de ter ignorado aquilo que as imagens mostram. São mais de 15 mil seres humanos obrigados a respirar um ar que ninguém ainda lhes garantiu ser respirável”.

A aldeia de Paio Pires, com 15 mil habitantes, está sujeita há décadas a descargas poluentes, 365 dias por ano, da siderurgia que labora de dia e de noite e de onde são lançados, para a atmosfera furanos, dioxinas, óxidos de nitrogénio, de enxofre e de carbono, compostos orgânicos voláteis e metais pesados. De acordo com este grupo, são lançadas também, e “às toneladas”, poeiras e outras partículas, incluindo limalhas “que os moradores varrem diariamente das suas varandas e parapeitos, ou limpam das suas viaturas e campas do cemitério”.

João Carlos Pereira acrescenta que algumas destas limalhas conseguem “apanhar-se com um íman” e que toda esta poluição chega “pelo ar que, fatalmente, aqui se respira”.

Os moradores dizem “haver a noção” de que os casos de carcinoma do pulmão e de doença pulmonar obstrutiva crónica “são comuns na comunidade” mas que esses indicadores têm sido ignorados pelas autoridades portuguesas.

“As pessoas, quando vão a consultas, no Hospital Garcia de Orta, por exemplo, apercebem-se que os médicos conhecem uma incidência anormal de carcinomas nestas populações, mas não existem estudos sobre o problema, ou, se existem, estão escondidos”, diz Carlos Pereira.

Os Contaminados sublinham que nunca foi feito um rastreio de saúde aos moradores de Paio Pires. Uma medida que, defendem, deveria ter carácter regular.

O grupo acusa o poder político de ter “uma clara atitude de protecção” da empresa e contribuir para a “muralha de silêncio que abafa este magno problema” e pede resposta a duas perguntas directas: Se “é verdade que a incidência de doenças do foro respiratório, desde a mais simples alergia aos carcinomas, ultrapassa, na aldeia de Paio Pires, a média nacional” e se o Governo e autarquias “podem garantir que o ar que se respira na aldeia, e num raio de vários quilómetros, representa, em momento algum, um perigo para a saúde pública”.

Poluição de solos e ruído
Entre os crimes ambientais que Os Contaminados denunciam estão “escorrências para os solos e massas de água” e níveis de ruído “muito acima” do permitido por lei e que, segundo dizem resulta da actividade da aciaria — núcleo do forno eléctrico onde o aço é fundido, e não da central de oxigénio “como a empresa faz crer”.

A poluição sonora incomoda sobretudo à noite porque é no período nocturno que a fábrica mais labora com esta unidade, por razões de economia energética.

Estes moradores denunciam a exposição de cerca de mil crianças a descargas poluentes, com a existência de várias escolas, creches e infantários “mesmo por baixo das chaminés e sistemas de exaustão da fábrica”, algumas das quais a “escassas centenas de metros do principal foco poluidor”.

As emissões deste foco, a aciaria, não são, segundo os denunciantes, devidamente monitorizadas. Apenas algumas partículas são medidas de forma contínua, mas pela própria empresa e não por qualquer entidade independente, sendo que “as partículas mais agressivas, potencialmente cancerígenas, são medidas como e quando a empresa entende”. A Agencia Portuguesa do Ambiente tem instalada uma Estação de Medição da Qualidade do Ar em Paio Pires mas, dizem os moradores, as partículas que correspondem a metais pesados, que estarão entre as potencialmente mais perigosas para a saúde pública, não são medidas “alegadamente por não serem inaláveis”.

O PÚBLICO contactou a SN Seixal, a APA e a Câmara do Seixal mas não obteve resposta.

Carta ao Presidente fala em tragédia

O grupo de moradores que se queixa da poluição siderúrgica em Paio Pires enviou também uma carta ao Presidente da República, alertando para a situação que dizem ser também uma “tragédia”, como a dos incêndios, mas que mata de forma mais lenta.

“A questão que vimos colocar-lhe não assume a espectacularidade dos fogos, mas só porque não sucede, como estes sucedem, com o esplendor e a vertiginosa e dramática rapidez que testemunhamos em directo. No caso que lhe vimos expor tudo se processa de forma insidiosa e rotineira, mas igualmente funesta”, lê-se na missiva que enviaram na sexta-feira a Marcelo Rebelo de Sousa, solicitando a sua “decidida intervenção”, como fez na questão dos incêndios.

Os Contaminados dizem que em Paio Pires a poluição também faz vítimas, mas que o caso está a ser ocultado, pela “particularidade de as vítimas, que seguramente também as há – e poucas não serão – não poderem ser identificadas como tal, pois aqui é lenta e disfarçada a forma de matar e, ainda por cima – e principalmente – porque foi decidido, pelo poder central, que investigar e procurar aqui o nexo – aquilo a que se chama causa/efeito – é coisa proibida”.

Os moradores recordam que a Organização Mundial de Saúde já considerou o Seixal como a cidade mais poluída de Portugal, sustentam que esse titulo se deve a Paio Pires, também já chamada por alguns habitantes como “a terra da morte lenta” e dizem ao Presidente da República esperar “que se identifique com este problema e que, tal como está a fazer com a praga dos incêndios, considere que o que está a falhar aqui é uma coisa por demais evidente; o factor humano”.

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Inês Medeiros – “Propus, a todas as forças, pelouros importantes. A porta continua aberta”

FRANCISCO ALVES RITO e MARIA JOÃO LOPES 10 de Novembro de 2017, 8:17

DANIEL ROCHA

É na Casa da Cerca, um espaço cultural em Almada com uma desafogada vista para Lisboa, que Inês de Medeiros conversa com o PÚBLICO. Dali vê-se o rio que a autarca vai atravessar até arranjar um sítio em Almada onde ficar. A ideia é dividir-se entre o novo trabalho e a família que está em Lisboa, aquela que será sempre a sua cidade, apesar de ter nascido em Viena e vivido ainda em Paris. O cinema e a representação serão sempre os seus amores iniciais, mas a política também a preenche. Percebeu a importância dela logo em menina, quando voltou a Portugal no pós-25 de Abril e a presenciou nas ruas. Aos 49 anos, vai abraçar uma autarquia, onde fez uma aliança com a direita, embora seja uma defensora da “geringonça” de esquerda na Assembleia da República: “Com esta solução governativa, o Parlamento ganhou um bocadinho mais da dignidade que merece.” Para Inês de Medeiros, a política é um espaço de liberdade. E, nesse aspecto, não tem dúvidas: o PS é o partido “mais tolerante e livre do espectro político”. Curiosamente, ainda não sentiu necessidade de ser militante.

Foi mandatária da juventude de Jorge Sampaio, mas na tomada de posse foi Mário Soares quem evocou. Porquê?


São duas referências absolutas para mim. No caso de Mário Soares, todos temos uma grande dívida para com ele naquilo que é a instalação de uma democracia livre. E está na altura, aqui em Almada, de haver uma reconciliação com o passado. Independentemente das lutas e dos conflitos que se viveram e muito intensamente neste concelho, é importante dizer que há pessoas que também são um símbolo de tolerância e convivência democrática. Se houve coisa que Mário Soares me ensinou foi a não ter medo. Não haver medos, não haver palavras proibidas. Não se trata obviamente de uma provocação, trata-se de uma homenagem a alguém que lutou pela democracia neste país, no pós-25 de Abril, e sempre lutou pela liberdade de todas as forças políticas sem excepção. É isso que importa relembrar.

Ganhou uma câmara histórica ao PCP. Vai governar com o PSD. Não é uma guinada demasiado forte para a “geringonça”?


Não devemos misturar assuntos nacionais com autárquicos. Há realidades locais particulares. Não creio que a “geringonça” – da qual sou uma defensora há muitos anos, antes de acontecer – esteja comprometida com o que aconteceu em Almada. Propus, a todas as forças, pelouros importantes. Aliás, a porta continua aberta. Negociámos com as três forças, só conseguimos concluir com o PSD. Não quer dizer que daqui para a frente não possa haver outras formas de colaboração ou novas configurações. Com o PSD não é uma coligação, é um acordo de governabilidade. E agradeço a disponibilidade do PSD para essa abertura. As eleições em Almada tiveram um significado especial, nomeadamente para a CDU. São 40 anos de um poder que nunca tinha mudado. É preciso dar tempo para as pessoas e as forças se conseguirem readaptar à nova realidade. A lei é como é: dá possibilidade a todos os eleitos de assumirem pelouros, embora limite a quantidade de vereadores a tempo inteiro que podemos ter.

Não tem receio que o eleitorado de esquerda se sinta traído?


Não. Quando o presidente Bernardino [Soares, em Loures] faz um acordo com o PSD em 2013, no auge da crise, acho que nada disso põe em causa o seu sentido de esquerda.

A direcção do PS disse-lhe algo sobre o entendimento com o PSD?


Não. Deu liberdade a cada município para fazer os entendimentos necessários. Há um entendimento muito claro de que uma coisa é a realidade nacional e outra coisa é a realidade autárquica. Mas, obviamente, temos a noção do impacto desta alteração em Almada.

Está preparada para ceder à direita?


Se tivesse, como gostaria de ter tido, vereadores com pelouro da CDU ou do BE também teria de negociar permanentemente.

Mas não lhe custaria tanto, sendo uma mulher de esquerda.


Há questões transversais. Todas as forças políticas, sem excepção, da esquerda à direita, têm noção de que é necessário atrair investimento para Almada. Nenhuma das forças envolvidas, com ou sem pelouros, deve estar fixada na cedência, é uma palavra que não faz sentido aqui, o que importa é encontrar os pontos de concordância. Temos um acordo de governação e é possível que haja matérias onde não chegaremos a acordo com o PSD, mas os vereadores sem pelouro também têm voto. Até agora, com o PSD de Almada as relações tem sido das mais cordiais, construtivas e disponíveis, com pontos muito concretosem que há concordância, como, por exemplo, na necessidade absoluta de atrair investimento ou a reabilitação do espaço urbano. E na criação de uma agência de desenvolvimento para Almada.


Com naturalidade. Não vou estar aqui a reproduzir frases sobre quem dança com quem. É preciso haver abertura dos dois lados e estamos certos de ter feito propostas à CDU que eram consistentes. Não eram de todo minimizadoras. Não quero entrar no detalhe das negociações.

Temos de lhe perguntar na mesma. Por que razão falharam as negociações à esquerda?


Por enquanto falharam, porque há contrapropostas que são feitas para serem recusadas. São mensagens muito claras. As conversas sempre correram muito bem, de forma afável e colaborativa, durante 15 dias. Foi algo surpreendente para mim que, na véspera da tomada de posse, houvesse uma alteração de posição. Considerámos que era uma grande alteração de posição relativamente àquilo que tinham sido os encontros anteriores.

>H3> E o Bloco de Esquerda?
O BE foi sempre muito claro, transparente. Anunciou que, não sendo decisivo para a criação de uma maioria, não estaria disponível para assumir pelouros de grande envergadura. Mostrou-se disponível para colaborar de outras formas. As portas continuam abertas.

Com a CDU, o que houve foi uma luta por pelouros?


A última proposta, a que a CDU chama contraproposta, era daquelas feitas para não serem aceites. É a leitura que fazemos.

Teve a ver com pelouros ou com regimes de permanência?


Infelizmente tinha a ver com pelouros. Nunca chegámos à fase — que, para mim, era mais importante — do debate programático. Fomos surpreendidos com esta contraproposta na véspera da tomada de posse à noite. Não havia sequer tempo para mais negociações até à tomada de posse. Era urgente começarmos a trabalhar. Por outro lado, também não posso não referir que a transição não se fez da melhor maneira ou da forma colaborativa que estaríamos à espera.

O que quer dizer?


Houve muito pouca transição de pastas. Mas, mais uma vez, isto já está a ser ultrapassado. O que quero deixar aqui muito claro é que as portas continuam abertas e não há um clima de tensão. Entretanto já voltámos a ter contactos com a CDU.


Que pelouros estavam em causa? Era o da cultura do qual não abria mão?


A cultura nunca esteve em cima da mesa, por razões evidentes. Não quero entrar no detalhe. As negociações devem ser feitas com recato, o mais importante é o resultado e a atitude daqui para a frente.

Reconhece o papel da CDU na governação do município mas diz que o modelo do PCP está esgotado. Porquê?


Qualquer poder inalterável há demasiado tempo cria inércias e perde algum sentido de urgência. Reafirmo que reconheço o papel do PCP, da APU e da CDU, no desenvolvimento de Almada e na superação de anos muito difíceis, como foram os 80 e 90, com a desindustrialização. E é justo prestar o devido tributo à ex-presidente da câmara, Maria Emília de Sousa, que esteve 26 anos na autarquia. O que se sentiu nos últimos oito anos, e muito neste último mandato, foi uma certa inércia e incapacidade de responder aos problemas mais prementes. É a dificuldade da política autárquica. O poder autárquico tem duas obrigações: responder às necessidades imediatas e projectar o município para o futuro.

Os seus parceiros de governação do PSD defendem uma auditoria às contas do município e dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento. Vai fazê-la?


É uma operação normal quando há uma alteração de gestão e de força política, normal no início de mandato. Não se trata de uma auditoria para estar a pôr em causa mandatos anteriores. É para sabermos a quantas estamos.

Era algo que já pretendia fazer?


Sim, mas com muita naturalidade. Não se deve dramatizar ou politizar esse acto.

Sente-se preparada para governar Almada ou está a refazer-se da surpresa?


Não foi uma total surpresa. Sobretudo no final da campanha sentíamos muito que alguma coisa ia acontecer.

Mas, quando partiu, achou que ia ganhar este bastião comunista?


Tinha perfeita consciência da dificuldade de ganhar, estava a concorrer com um poder instalado há quase 42 anos. Percebemos muito cedo que havia uma grande insatisfação, um sentimento de frustração com os últimos quatro anos. À medida que a campanha foi avançando, sentimos uma onda de entusiasmo maior. Comuniquei ao presidente da distrital de Setúbal e ao PS nacional: “Pode acontecer qualquer coisa em Almada”. O PS de Almada dizia que nunca tinha tido uma campanha assim. Não foi uma total surpresa, mas não podíamos calcular ao certo qual seria a dimensão. Acabámos, na recontagem, com 400 votos de diferença, uma pequena diferença.

E quanto a estar preparada? Quando interiorizou a vitória sentiu aquele frio no estômago como quando entra em palco?


[Risos] Numa analogia com o palco, devo dizer que só se tem o frio no estômago antes de entrar, depois esses temores desaparecem.

Começa a sentir-se bem nestas funções?


Começo. Sinto-me preparada e com uma equipa capaz e igualmente preparada para desempenhar estas funções.

Assumiu a reabilitação urbana como uma das prioridades. O Cais do Ginjal e a Cidade da Água vão avançar nestes quatro anos?


Posso garantir que tudo faremos para que avancem. O Cais do Ginjal está em consulta pública, teremos de nos reunir em breve com os promotores e detentores de grande parte do Ginjal para perceber quais os projectos para aquela zona, que considero prioritária. Tudo faremos para que, até ao final do mandato, a obra possa ter início. Na Margueira, felizmente, toda a questão da titularidade dos terrenos já está resolvida e há que abrir, quanto antes, o concurso internacional para iniciar o projecto.


Disse que quer um projecto em que a comunidade se reveja. Admite que o plano possa ser alterado?


O plano está feito e publicado, mas o projecto não está feito. O plano já prevê a possibilidade de pequenas adaptações. Terá de haver um concurso público para os investidores privados que ficarão encarregues do projecto propriamente dito. Também falei, no discurso de posse, da rampa da mobilidade [primeira medida como presidente] e fico muito feliz por saber que já está um projecto concluído, em pouco mais de uma semana. Já temos um primeiro projecto em cima da mesa e vamos poder avaliá-lo, orçamentá-lo e concretizá-lo. Há outros problemas quotidianos em Almada. A política de acessibilidades está parada e tem de ser retomada. Almada é referência em várias áreas, mas não está bem como concelho inclusivo. Há outros projectos que gostaria de iniciar rapidamente, como o Presídio da Trafaria. Nas grandes prioridades temos também a mobilidade, com dois contratos de concessão que têm de ser revistos, dos Transportes Sul do Tejo (TST) e Fertagus, e a higiene urbana.

É uma pessoa do teatro. O apoio ao Festival de Teatro de Almada é para manter, reforçar ou repensar?


É para manter, certamente. Gostava até que fosse para reforçar, mantendo a fortíssima identidade do festival, uma referência internacional e o maior evento teatral do país. Quero também deixar nota que a Mostra de Teatro de Almada, que junta grupos amadores e profissionais e está na 21.ª edição, merece ser mais promovida. Aproveito ainda para descansar algumas almas mais inquietas dizendo que o Sol da Caparica, um grande evento, também é para manter.

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