Archive for: Abril 8th, 2018

ALMADA – Famílias carenciadas com menos apoios

2018-04-07 21:16:22

O alerta é dado pelo Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, uma IPSS fundada há mais de quarenta anos na Cova da Piedade, que publicou uma reportagem no seu portal online, divulgada pela Diocese de Setúbal.

Os programas de acção social existentes revelam-se insuficientes para colmatar as necessidades das famílias carenciadas de Almada, uma vez que o Banco Alimentar tem vindo a diminuir as quantidades de bens alimentares entregues e prevê-se a substituição da ‘Cantina Social’, que funciona há cerca de quatro anos, pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) «que tem funcionado de forma deficiente e que não está acessível a toda a população anteriormente abrangida pela cantina social».

O Centro Social e Paroquial Padre Ricardo Gameiro e a Paróquia da Cova da Piedade apoiam actualmente 108 famílias, num total de 242 pessoas, através da ‘Ajuda Fraterna’, que entrega duas vezes por mês cabazes com produtos do Banco Alimentar e oferecidos pela comunidade da Paróquia da Cova da Piedade, (67 famílias – 160 pessoas), e a ‘Cantina Social’ – POAPMC (20 famílias – 51 pessoas).

«Para além das pessoas que todos os meses dependem da nossa ajuda para conseguirem ‘sobreviver’ com os fracos rendimentos que têm, diariamente recebemos pedidos de apoio social e alimentar. Por vezes, apenas uma refeição, um pacote de massa, de arroz ou atum, podem fazer a diferença para muitas famílias que veem as suas vidas condicionadas por uma sociedade que, em muitos casos, não facilita o acesso ao emprego e as limita e impede de viver com dignidade.»

O desemprego por doença, idade, fraca escolaridade ou falta de experiência profissional, dificultam a obtenção de trabalho originam as difíceis situações socioeconómicas em que estas pessoas e famílias se encontram. «O número de pessoas carenciadas é grande e torna-se difícil conseguirmos entregar os bens alimentares necessários para a sua subsistência. Os que nos chegam não são suficientes face à quantidade de pedidos de ajuda e a Paróquia tem redobrado o esforço para atender não só as famílias abrangidas pelos programas, mas também às necessidades das famílias que não estão abrangidas por nenhum programa e passam por grandes dificuldades.»

A reportagem do Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro conta também com testemunhos de utentes que a Educadora Social, Carla Martinho, acompanha no trabalho de Acção Social, como «Maria», de 45 anos, divorciada, doente oncológica e vive com o filho de 18 anos. Sobrevivem com a pensão de alimentos do filho e com o Rendimento Social de Inserção (RSI), pagando as despesas da casa, medicação, alimentação e os estudos do filho.

José Nascimento, ex-recluso e ex-toxicodependente, conheceu a dura condição de “sem-abrigo”, e chegou até à Instituição através do GIP (Gabinete de Inserção Profissional), através do qual conseguiu trabalho «e encontrou na nossa Instituição a ajuda necessária para sair da situação em que estava».

José Rodrigues, 62 anos, encontra-se desempregado há mais de três anos, é utente da Cantina Social, uma pequena ajuda que muita diferença faz no seu rendimento mensal que se resume aos 186€ do RSI que recebe. Para pagar o quarto onde “sobrevive” retira 150€, restando-lhe apenas 36€ para se governar durante todo o mês.
«Ao contrário do que se ouve frequentemente nos meios de Comunicação Social sobre a diminuição do desemprego e melhoria das condições de vida, a realidade é um pouco diferente e que todas as semanas chegam até nós pessoas a pedir apoio» afirma Carla Martinho. «Hoje em dia, não ter telemóvel é um fator de exclusão social, porque se a pessoa se estiver à procura de emprego não consegue arranjar trabalho porque o empregador não a consegue contactar.»

Apesar das anunciadas melhorias económicas dos últimos anos em Portugal, os problemas mantêm-se. «Quem nos procura são famílias que trabalhavam, tinham uma vida organizada e que, de repente, ficaram sem trabalho ou adoeceram, mulheres que ficam sozinhas com os filhos, trabalhos precários, mal remunerados, reformas baixas e as rendas cada vez mais altas. São pedidos de ajuda diferentes daqueles que recebíamos há anos atrás, vêm pedir mas com vergonha, são pessoas que, noutras situações, nunca viriam recorrer a este apoio, por ser uma novidade o tipo de situação que enfrentam.»

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Falta de areia nas praias pode acabar com surf na Costa de Caparica

8 de Abril 2018

A prática e a aprendizagem de surf nas praias da zona norte da Costa de Caparica, em Almada, estão em causa devido à falta de areia, segundo a Associação de Surf da Costa de Caparica (ASCC).

“A Costa de Caparica é conhecida como um dos paraísos da aprendizagem do surf devido às condições que as praias apresentam, mas se a reposição de areia não for feita vai ser muito difícil que continue a ser um local de referência”, disse à agência Lusa o presidente da associação, Miguel Gomes.

Por não haver areia suficiente, referiu, cada vez há menos surfistas na zona.

“Ao não haver areia, as ondas ficam com ‘backwash’ [fluem na direção oposta ao normal, dirigindo-se a alto-mar] e isso impede que se faça surf”, explicou.

Miguel Gomes destacou a “preocupação constante” da Junta de Freguesia de Costa de Caparica e da Câmara Municipal de Almada (distrito de Setúbal) em relação à prática de surf no concelho, mas notou que os fundos para reverter a situação dependem do Governo.

“Aqui quem manda é o Governo, o Governo é que tem o dinheiro que permite realizar uma intervenção mais séria e esperamos que essa intervenção seja urgente”, destacou.

O presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, José Ricardo Martins (PS), lembrou que para reequilibrar o sistema na freguesia serão necessários, “até 2050, cinco milhões de metros cúbicos de areia”, um investimento de mais de 25 milhões de euros.

Para o autarca, no Orçamento do Estado do próximo ano terá “obrigatoriamente” de constar, no mínimo, verba suficiente para um milhão de metros cúbicos de areia.

“Desde 2015 que não temos enchimento de areia. Este ano, com o aproximar da época balnear, já não é possível, mas é preciso que o Ministério das Finanças e o Ministério do Ambiente inscrevam no Orçamento do Estado para 2019 no mínimo cinco milhões de euros de verba, o custo de um milhão de metros cúbicos de areia, para a Costa de Caparica”, defendeu.

O autarca indicou que o preenchimento cíclico de areia até 2050 terá um custo de 20 cêntimos por cada português, “uma coisa irrisória.

“Somos um país virado para o turismo, temos de perceber que este tipo de enchimentos de areia tem de estar presentes naquilo que é o desenvolvimento do país”, afirmou.

No que diz respeito à existência de um plano a longo prazo para a gestão de todo o litoral do país, o autarca alerta para que também a vertente económica e turística nacional seja considerada.

“O Governo terá de olhar para esta linha do litoral, em todo o litoral português, de outra maneira. Terá de perceber que a primeira linha do turismo português é o sol e o mar e, para isso, também a proteção da linha do litoral. Esta proteção da linha do litoral não serve só para proteger as pessoas e bens, mas também para fazer praia e dinamizar a economia local”, disse.

O presidente da associação de surf alertou ainda para a segurança dos surfistas que ainda arriscam entrar no mar daquelas praias, que está posta em causa, com os movimentos das ondas em direção ao paredão.

“Quando a maré está cheia é praticamente impossível fazer surf, uma vez que as ondas batem nas pedras [do paredão] e é impossível alguém aprender a surfar assim. Além de que coloca os praticantes em perigo, porque podem magoar-se ao embater na zona empedrada”, afirmou.
Soluções de emergência para travar erosão costeira são insuficientes

As medidas de urgência tomadas para salvaguardar o litoral português após períodos de maior erosão são insuficientes para impedir danos materiais e pessoais no futuro, havendo necessidade de continuidade na gestão e de um grande investimento, alertam especialistas.

“Nos últimos 20 anos sempre que há uma tempestade há investimento de urgência, mas depois não há continuidade nesse tipo de soluções e investimentos. Precisamos que a política seja contínua”, disse à agência Lusa José Carlos Ferreira, docente e investigador da Universidade Nova de Lisboa.

Para o especialista, doutorado em Ambiente e Sustentabilidade, o plano da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para o litoral “é um plano adequado”, mas é preciso que a ação do Governo “seja levada a sério”.

“Precisamos que a política seja contínua, de renaturalização e restauro dos ecossistemas da zona costeira e também de retirada a pouco e pouco das áreas de risco. Que exista uma política contínua e que as questões de ordenamento sejam levadas a sério”, afirmou.

O processo de adaptação às alterações climáticas e ao défice de sedimentos na costa “vai durar muitas décadas”, de acordo com Filipe Duarte Santos, investigador e professor da Universidade de Lisboa, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.

“Há várias estratégias que podem ser adaptadas para reagir às alterações climáticas, mas exigem um grande esforço e financiamento. A nossa costa não permite que se retire facilmente areia para a proteção da costa como acontece, por exemplo, na Holanda”, afirmou Filipe Duarte Santos, que foi também responsável pelo Grupo de Trabalho para o Litoral (GTL), criado em maio de 2014.

Este grupo foi constituído pelo Governo com o objetivo de “desenvolver uma reflexão aprofundada sobre as zonas costeiras” para “definição de um conjunto de medidas que permitam, no médio prazo, alterar a exposição ao risco, incluindo nessa reflexão o desenvolvimento sustentável em cenários de alterações climáticas”.

Em dezembro de 2014, o GTL apresentou um relatório sobre a gestão costeira que está na base da atual gestão do litoral português e que, de entre as recomendações, sugere à APA a “promoção de ações de sensibilização, esclarecimento e divulgação” para a população.

A mesma preocupação manifesta José Carlos Ferreira, que defende a inclusão da comunidade no processo de tomada de decisão.

“Não podemos continuar a fazer a gestão das zonas costeiras sem envolver a comunidade e as pessoas, temos de trabalhar com elas. Se as comunidades costeiras forem chamadas a participar neste processo de tomada de decisão, elas serão as primeiras a defender determinado tipo de soluções que podem ser difíceis”, afirmou o investigador.

O GTL diz também ser necessário “avaliar e modelar novas opções de adaptação” em várias praias do país, que podem incluir a relocalização para que não evoluam para situações semelhantes às das praias que desaparecem na maior parte do ano, entre elas Paramos Sul (Espinho), Furadouro Norte (Ovar), Barra e Costa Nova Norte (Ílhavo), Praia de Mira (Mira), Costa de Lavos e Leirosa (Figueira da Foz), Pedrógão (Leiria) e Praia da Vieira (Marinha Grande).

“É muito provável que seja cada vez mais difícil e oneroso repor as praias nas frentes urbanas com maior risco defendidas por obras aderentes de proteção ou paredões (diques), como são os casos dos aglomerados já defendidos por defesas aderentes”, reafirmam os investigadores do GTL.

Numa resposta enviada à Lusa a APA informa que “não estão previstos novos esporões”, tendo sido “claramente assumida a adoção de estratégias de adaptação aos riscos (instalados e os que acrescem em cenário de alterações climáticas), numa atitude de antecipação que comporta as estratégias de prevenção, proteção, acomodação e retirada, a qual é desenvolvida de forma coerente e articulada aos diversos níveis”.
Mudança de edifícios e fim de novas construções na costa

A relocalização de edifícios e o impedimento de novas construções na costa são essenciais para evitar a destruição de infraestruturas causada pela erosão costeira e amplificada pelas tempestades, segundo especialistas nesta área.

“Há situações em que nós nos colocamos em locais errados, por isso, além da realimentação artificial […], teremos mesmo de, em alguns locais onde possa ser justificável, fazer algum reordenamento e alguma relocalização na zona costeira”, defende Óscar Ferreira, especialista em erosão costeira.

Também o diretor regional da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no Algarve, Sebastião Teixeira, considera que “há muitos sítios onde inevitavelmente” essa relocalização “vai ter de acontecer”, já que a erosão é um processo contínuo, o que significa que o recuo das arribas pode colocar determinadas construções em risco “de ficarem à beira de um precipício”.

Óscar Ferreira entende também que não se deve voltar a construir em locais que foram destruídos, porque se o mar lá chegou de alguma forma, “vai continuar a chegar”, sobretudo num quadro de subida do nível do mar, em que é expectável que a erosão costeira seja “um pouco mais acentuada” no futuro.

“Se nós não tivéssemos uma ocupação muito intensa na área litoral e se tivéssemos um ordenamento de território ideal onde estávamos um pouco mais afastados da zona costeira, provavelmente pouco sentiríamos a influência direta desse recuo da linha de costa”, observa o professor da Universidade do Algarve.

Segundo Sebastião Teixeira, nas zonas de arriba rochosa, em que os desmoronamentos são espaçados, a vulnerabilidade “não é tão grande” como nas zonas que têm arribas arenosas, como por exemplo, na faixa costeira entre Quarteira e o Ancão, que se estende pelos concelhos de Loulé e Faro, no Algarve.

De acordo com o responsável, aquele setor costeiro tinha taxas de erosão de um ou dois metros, mas já chegou a ter cinco metros por ano, situação atenuada pela operação de realimentação de grande escala efetuada em 2010.

“Essa, que era a zona mais dramática, deixou de o ser temporariamente. Em 2010, a taxa de erosão era um metro e meio, dois metros por ano. Está neste momento nos centímetros por ano”, ilustrou.

Segundo Sebastião Teixeira, a intervenção de realimentação artificial nas praias situadas naquele setor foi a solução encontrada para que o mar não atingisse a arriba diretamente, dando ao mar “a areia de que precisa para uma década”.

O diretor regional da APA notou que, na última avaliação realizada, passado sete anos da intervenção, ainda estava metade da areia que foi posta no início e o que seria expectável é que estivesse lá apenas 30% dos sedimentos colocados.

Além da realimentação artificial, a construção de paredões e a colocação de esporões continuam a ser as formas de proteção costeira mais tradicionais, embora Óscar Ferreira considere que a construção de estruturas do tipo pesado deva ser “muito bem” equacionada e apenas aplicada em áreas onde não há mais solução possível.

A par dos custos elevados, estas estruturas de defesa costeira protegem o local onde são colocadas, mas “transferem o problema para o local imediatamente a seguir”, onde o “sedimento não vai chegar porque é retido nessas estruturas”, conclui o geólogo.

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