Contentores na Trafaria – Almada: Autarca quer explicações de novos ministros sobre contentores

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A presidente da Câmara de Almada desafiou hoje os ministros do Ambiente e da Economia a dizerem o que pensam sobre o projeto de construção de um terminal de Contentores da Trafaria.

“Eu gostava de saber o que o ministro do Ambiente, Moreira da Silva, tem para nos dizer. Queremos saber se corrobora, se está de acordo com este crime ambiental de lesa-pátria”, disse Maria Emília de Sousa durante um protesto que juntou centenas de surfistas nas praias da Caparica.

“Também quero saber o que pensa o ministro da Economia, Pires de Lima, relativamente a esta questão”, acrescentou Maria Emília de Sousa, assegurando que o primeiro-ministro nunca esclareceu se se tratava de um projeto dos anteriores ministros da Economia e do Mar ou de um projeto assumido pelo Governo.

A presidente da Câmara de Almada, que falava aos jornalistas durante uma ação de protesto promovida pela `Associação Contentores na Trafaria Não´, afirmou que a construção daquela infraestrutura portuária, “além de destruir o plano de água, destrói também o plano de terra, toda a história, o futuro daquela gente”.

Maria Emília de Sousa criticou também a construção de uma ferrovia de mercadorias que vai servir a nova infraestrutura portuária e que atravessa a arriba fóssil para fazer a ligação à plataforma logística do Poceirão.

“Isto é anacrónico, isto não faz sentido. Isto só pode ter uma justificação. Há aqui um grande negócio”, disse a autarca de Almada.

Durante o protesto organizado pela `Associação Contentores na Trafaria Não´, centenas de surfistas, bodyboarders e windsurfistas formaram um círculo nas águas das praias do CDS e de São João, na Caparica.

“Trata-se de um círculo surfista, de pessoas que praticam surf e bodyboard contra a construção do terminal de contentores de Trafaria, que poderá fazer desaparecer a areia de algumas praias”, explicou à Lusa Pedro Dionísio, da organização.

O responsável da `Associação Contentores na Trafaria Não´ lembrou que “os especialistas apontam os portos de Lisboa, Setúbal e Sines como as melhores alternativas à construção do terminal de contentores da Trafaria”.

Para Pedro Bicudo, da `Associação SOS – Salvem o Surf´, que também se juntou ao protesto realizado este sábado, é necessário fazer estudos para avaliar as consequências que a construção do terminal de contentores poderá ter para as praias e para a prática de diversos desportos náuticos.

“Não sabemos de nenhum estudo de impacte ambiental que tenha sido realizado em relação ao terminal de contentores da Trafaria”, disse.

“É uma prática corrente no País: quando se fazem obras na costa não se contemplam os impactos ambientais nas praias, no surf. E nós queremos que esse estudo seja feito para sabermos o que vai acontecer”, acrescentou Pedro Bicudo.

A construção de um terminal de contentores na Trafaria está prevista no plano de reestruturação do Porto de Lisboa, apresentado pelo Governo em fevereiro, e que contempla, também, a concessão do terminal de cruzeiros e a criação de uma nova marina.

Diário Digital com Lusa

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Estudo encomendado pelo porto de Lisboa arrasa terminal de contentores da Trafaria

Documento elaborado pela A.T. Kearney diz que investimento só será competitivo com recurso aos transportes rodoviários.

O terminal da Trafaria (TCT), que foi apresentado pelo Executivo há alguns meses para alargar o porto de Lisboa, só é viável com o recurso ao transporte rodoviário.

A conclusão está num estudo que a Administração do Porto de Lisboa (APL) encomendou à consultora A.T. Kearney, datado de Junho deste ano, e a que o Negócios teve acesso. “O modo intermodal de/para o TCT mais interessante para os agentes económicos é a rodovia (mais barato e operacionalmente mais eficiente), não se apresentando outras soluções (ferrovia, barcaça, RoRo) economicamente competitivas”, diz o documento.

O mesmo estudo adianta mesmo que “a não serem criadas as acessibilidades rodoviárias, o TCT perderá significativamente competitividade a favor de portos alternativos”. Recorde-se que o presidente da Refer, Rui Loureiro, disse em Maio que a solução para a ligação ferroviária entre o futuro terminal de contentores da Trafaria e Lisboa terá custos associados de cerca de 152 milhões de euros, a que se somariam outros oito milhões para expropriações.

Além disso, segundo a A.T. Kearney “a ausência de uma vantagem competitiva em custo de transporte terrestre, tempo de entrega e disponibilidade de ligações ao ‘foreland’ não deverá permitir um alargamento significativo do ‘hinterland’ do Porto de Lisboa para Espanha” .

O mesmo documento afirma que “o TCT terá impactos socio-económicos directos importantes: em 2048, estima-se que gere 90 milhões de euros de consumo intermédio, contribuindo com 35 milhões para o PIB, e tenha criado mais de 340 empregos directos”, afirma a consultora que diz que “um cenário de inexistência do TCT ou de terminais de contentores em Lisboa poderia onerar a economia regional em cerca de 50 a 80 milhões de euros por ano (em 2048), respectivamente”.

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