Inês de Medeiros a Incrível de Almada

09 de Fevereiro 2018
entrevista à Notícias Magazine

Inês de Medreiros:

“Eu tenho de prestar uma homenagem à Maria Emilia Neto de Sousa que foi e é uma figura incontronavel da evolução de Almada e que foi uma mulkher que enfrentou anos muito dificeis com o fim de um modelo económico que era o modelo Industrial e que mesmo assim conseguiu fazer obra e que deixou em Almada uma almofada confortavel.
Muito diferente disso foi o anterior executivo que dizia que não fazia sentido uma Câmara ter saldos de Gerência positivos quando havia necessidades e de facto teve uma gerencia que nós consideramos muito perigosa porque em breve era toda Almada que entraria em defice, coisa que Almada há muitos anos nunca teve.”

“Em Almada era a Maria Emilia que era eleita, até há quemn diga que o PCP só entrou em Almada em 2013”

Como se preparou para a campanha, a gestão de emoções na noite eleitoral, a passagem de poder da CDU para o PS e os desafios que tem pela frente a atriz feita política.

Como está a ser recebida na Câmara, onde há certamente muitos funcionários ligados ao PCP, o grande derrotado eleitoral?

De uma maneira geral, muito bem. Deve distinguir-se a filiação partidária, no livre exercício da democracia, da competência no trabalho. O problema deu-se em casos muito específicos e com a cúpula. Não vale a pena esconder: a transição correu muito mal, a roçar a caricatura. O ritual de transição de poder não foi cumprido, não tivemos ninguém à nossa espera – nem sequer a pessoa que havia sido designada para tal – e o anterior presidente da câmara entregou-me a chave por ocasião de uma reunião tivemos em Lisboa. Resumindo: a única informação que recebemos do executivo anterior foi a de que havia uns tapetes de Arraiolos que podiam ser usados.
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Esta é uma das respostas que Inês de Medeiros deu à Notícias Magazine, na primeira grande entrevista desde que venceu as eleições para a Câmara Municipal de Almada, em outubro, e que será publicada no próximo domingo.

O pai, o maestro António Victorino de Almeida, chama-lhe «a incrível almadense» numa referência à histórica sala de espetáculos de Almada e também à forma como se tornou a surpresa das eleições autárquicas. Ao fim de quarenta anos, e por escassos 313 votos, o PS tirava a câmara aos comunistas. Inês de Medeiros foi a grande vencedora daquela noite e até a atriz que se fez política ficou surpreendida.

Na primeira grande entrevista que dá depois dessa noite, explica como se preparou para a campanha, as dificuldades que tem encontrado e os grandes desafios que tem pela frente. E falou também dos tempos em Paris, do convite de José Sócrates para ingressar na política, da relação com a irmã, a também atriz Maria de Medeiros.

Estes são outros excertos da entrevista que pode ler no próximo domingo, na Notícias Magazine (com o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias):

«Há que encarar isto com naturalidade, consciente de que o essencial é que os nossos atos tentem espelhar da melhor forma aquilo que realmente somos, gostamos, defendemos. Essa, sim, é uma preocupação minha. Quem me conhece bem sabe que se há na politica há cargo que me fica bem sé um cargo autárquico.»

«Andámos um ano no terreno. Andei muitos meses a estudar Almada, a ver Almada, fizemos quilómetros e quilómetros. E esta antecipação deu-me muita segurança e tempo para identificar e estudar os problemas maiores de Almada. No conhecimento do terreno, já quase desafio os almadenses de nascença.»

Veja mais em :::> Magazine Notícias

Nós sempre fomos contra a necessidade de recorrer a situações de trabalho precário

Assembleia Municipal de Almada
09 de Fevereiro 2018

João Geraldes Deputado da CDU na Assembleia Municipal de Almada

“Não há nenhuma disputa entre a CDU e o PS em matéria rigorosamente nenhuma desde o início do mandato, há uma tentativa da Câmara e da actual maioria de justificar as opções que tomam em função do mandato anterior.”
“Relativamente á questão dos vínculos precários, não há ninguém neste País nem nenhuma organização Política que mais que a CDU tenha lutado contra o trabalho precário.”

“Dizer que o antigo executivo dizia que não tinha precários e depois tinha 51 trabalhadores precários a trabalhar na Autarquia, não é sério.
É preciso não esquecer porque é que as autarquias tiveram de recorrer a trabalho precário.
É preciso não esquecer que o PS, o PSD e o CDS, assinaram com a Troika estrangeira um acordo que impôs ás autarquias locais a redução em 2% dos seus trabalhadores e impediu a contratação de trabalhadores durante anos.
Como é que se garantia os serviços que as Autarquias têm de prestar às populações?
Qual era a opção ?
Era fechar os serviços e deixar as populações sem esses serviços?
Não foi essa a opção.
Nós sempre fomos contra o trabalho precário.
Nós sempre fomos contra a necessidade de recorrer a situações de trabalho precário para satisfazer necessidades permanentes.
Simplesmente foi a lei que o PS o PSD e o CDS impuseram ao País e obrigaram a generalidade da Autarquias a seguir uma via que não é a via que as Autarquias defendem .”
“É preciso sermos sérios .
No final do mandato anterior, com a mudança politica Nacional, estávamos a resolver o problema.
Aliás como se continua a resolver o problema e como todos nós defendemos que o problema se resolva.
É preciso ter sentido de Estado relativamente a estas matérias, é preciso ser sério quando se fazem as afirmações que se fazem”

Inês de Medeiros – Presidente da Câmara Municipal de Almada

“Senhor deputado João Gerales se me permite, mas não creio que tenha autoridade para pôr em causa a minha seriedade e a seriedade das minhas palavras, e se eu não desminto imediatamente e com factos que até o Sr. Deputado conhecia até pela posição que ocupava é por respeito pela privacidade de alguns membros inclusivamente da sua bancada, e ai poderíamos falar de seriedade “
“Da nossa parte não pomos os trabalhadores no meio de nenhuma disputa, mas uma coisa é proclamar direitos dos trabalhadores e outra coisa é pôr em prática políticas e criar as condições de trabalho que protegem os trabalhadores.
É ou não é verdade que havia 51 trabalhadores ?
É ou não verdade que a Câmara de Almada chegou a recorrer á Manpower para contratar pessoas?
É ou não é verdade que fez outsourcing e nenhuma lei o impedia como nem em Almada nem em nenhum outro Município para contratar os monitores de natação e os trabalhadores das piscinas que estavam convencidos que trabalhavam para a Câmara Municipal de Almada .
É ou não é verdade que esse contrato com essa Empresa …..
Terei todo o gosto de enviar para esta Assembleia todos os documentos que comprovam , e mais, terei todo o gosto de enviar também as atas onde o anterior Presidente declarava solenemente suponho com sentido de Estado, que em Almada não havia percários.
Afinal havia ou não havia?”

Carnaval em Almada 2018

09 de Fevereiro 2018
A UNICA e EB e JI Marco Cabaço com o apoio da Junta Charneca de Caparica e Sobreda realizamos o Carnaval dos Afetos.

Fotos::::> Pedro Matias

O carnaval é quando nós quisermos..
Laranjeiro escola básica ALEXANDRE CASTANHEIRA
Henrique Santos

Junta das Freguesias de Laranjeiro e Feijó

Inês de Medeiros “A limpeza é de facto uma das nossas grandes prioridades”

Assembleia Municipal de Almada
8 de Fevereiro 2018
Charneca de Caparica

Inês de Medeiros Presidente da Câmara Municipal de Almada:

“A limpeza é de facto uma das nossas grandes prioridades, dizemos isso desde o início e temos feito um grande esforço é bom já ver efeitos mas é evidente que estamos a fazer com aquilo que ainda está e com os meios e organização que temos e é nossa intenção não só continuar mas até redobrar de eficácia reorganizando e investindo em material para que Almada passe a ser conhecida pela sua limpeza de Almada e não pelo contrário.”

“Relativamente à preocupação do traçado da estrada 377, quero confirmar que estamos em conversações com a REN por causa do enterramento das linhas .
O famoso traçado que o anterior executivo dizia estar fixado, nunca foi aceite pela REN.
A Câmara tinha vontade num traçado mas a REN não concordava com o mesmo.
Portanto o impasse era esse mesmo, a REN não concordava com o traçado que a então Câmara Municipal queria.
Estamos em conversações para um novo traçado que vai abranger a 377.
Esse traçado, quando houver uma resposta definida, será apresentado em sede de Poder Local Democrático ou seja em reunião de Câmara.
E é nestas instâncias que se avalia a vontade das populações .
Nós não temos a convicção de saber antecipadamente qual é a opinião das populações.”

O Carnaval em Almada e arredores — das origens aos nossos dias..


Alexandre Flores
ALMADA E SUAS TRADIÇÕES – o Carnaval
I. Breve história das suas origens

O Carnaval em Almada e arredores da Margem Sul do Tejo é uma das tradições que se perde na noite dos tempos. O carnaval e outras folias, nas vertentes da história, da etnografia e da antropologia cultural, merecem ser divulgadas ou (re)lembradas à comunidade e, em especial, às novas gerações. Merecem ser evocadas os bons tempos de espirituosos divertimentos ou das extravagantes folganças entrudescas que animaram as gentes e os lugares do concelho de Almada.

A festividade remonta à Antiguidade Clássica, senão antes, com o seu cortejo de danças e máscaras, e evolui depois com os Gregos, os Romanos e os Teutões, com as respectivas divindades. Autores que há que não deixam de evocar ou problematizar a origem das festas de loucos e dos excessos que provocam, por exemplo, as orgias saturnais nas tradições da Antiguidade romana. Claude Gaiggnebet salienta que o “Carnaval, originalmente, é pré-cristão. Em todo o mundo indo-europeu, desde o solstício de Inverno, isto é, desde a saída da grande noite, se anunciava um clima febril de danças, de mascarados, quer de animais, quer de inversão dos sexos e das idades. Os principais actores destas vivências eram sobretudo os jovens”. Com o Cristianismo, os primitivos rituais, relacionados com os ritos de fecundidade da terra próprios do novo ano e do início da Primavera, perdem o seu significado mágico e simbólico. Pelo Concílio de Benevento (século XI) os dias, que antecediam a Quaresma, eram de fartura de carnes e referências impregnadas de malícias. Coube depois ao Papa Paulo II, por volta de 1470, a introdução do “baile de máscaras” no Carnaval. O Carnaval romano consistia então em ruidosas manifestações populares, como corridas de cavalos, desfile de carros alegóricos, corridas de corcundas, lançamento de ovos, etc. Durante a Renascença, os folguedos carnavalescos e as mascaradas públicas de Roma e Veneza alcançam esplendor em Itália. No século XVIII, foi consagrado o “baile de máscaras” em França, que logo se popularizou na Europa.
O Carnaval, sob o signo do “Rei Momo”, era uma época de anarquia social controlada, uma época de folia e de loucura, de dissipação e de regozijo público, expressos através de bailes, desfiles, jogos e travessuras. Nunca autorizado, mas sempre tolerado pela Igreja, o Carnaval conheceu uma grande evolução durante o século XIX.

Em Almada e noutras terras de Portugal, as festas populares ligadas ao Carnaval são antigas, com as tradicionais folias, danças e práticas, como a “Serração da Velha”, o “Charivani”, o “Xexé”, os cortejos, as cegadas (por exemplo, o “Enterro do Bacalhau”) e outros divertimentos. O Carnaval tem, como referimos atrás, raízes muito antigas. E, é ainda, nos nossos dias, comemorado pelas gentes do concelho de Almada.

Como veremos na próxima página temática: ALMADA E SUAS TRADIÇÕES – o Carnaval. II. o Entrudo e a tipificação das folias (séculos XVIII-XX).

(Estudo e recolha de Alexandre M. Flores)
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– Bibliografia consultada em vários autores, como Jacques Heers, Claude Gaignebet, Rui Cascão e outros citados no nosso livro «Carnaval em Almada: abordagem histórico-antropológica», Edição da Associação «Amigos da Cidade de Almada», 1998, pp. 11-15, 99.
– Imagem: «Baile de máscaras no tempo de Napoleão Bonaparte». Reprodução da aguarela de P. Gavami (1804-1866), magnifico desenhador e litógrafo francês. Estampa colorida da col. A. Flores.

(II) O Carnaval em Almada — das suas origens aos nossos dias

ALMADA E SUAS TRADIÇÕES — o Carnaval
II. O Entrudo e a tipificação de folias (século XVIII)

Em Almada, como no resto do país, o Entrudo ocorria principalmente nos três dias gordos (domingo, segunda e terça-feira) que antecediam a quarta-feira-de-cinzas. No século XVIII os Largos da Igreja de Santiago, (junto ao Castelo), da “Casa da Câmara”, da Cova da Piedade, da Igreja do Monte de Caparica e de Cacilhas, principais lugares de reunião da vida social da terra, bem como as tabernas e as pitorescas adegas decoradas com ramos de pinho e de louro, distinguiam-se como locais para a prática do associativismo formal, nas brincadeiras silenciosas e em honra do “Baco dos cristãos”. No domingo gordo, dia de pausa do mundo rural e marítimo, marcado por intenso trabalho de sol a sol, grupos de parentes, amigos e vizinhos promoviam fantasias, danças burlescas e músicas dissonantes. Sem falar, claro, da excitação do momento e das injúrias provocantes, que originavam, com alguma frequência, situações ambíguas ou perigosas. Os jovens de Almada, Cacilhas e Cova da Piedade rivalizavam-se já entre si. Também nos meios rurais e marítimos, como Monte de Caparica, Sobreda, Charneca, Fonte Santa, Porto Brandão, Trafaria, os populares dinamizavam os seus divertimentos que caracterizavam a quadra festiva.

Folhetos de literatura de cordel setecentistas (existentes na Biblioteca Nacional de Lisboa), divulgam actuações de mascarados em grupos de personagens negros, e suas falas em textos de teatro, com destaque para a representação dos “Peraltas mascarados em Almada”, em 1740.

Os folguedos e as lutas “guerreiras” eram muito animadas, por vezes brutais, pelas azinhagas e ruas da vila. As “armas” podiam ser os saquinhos de areia ou excremento de burro, ou ovos de gema, ou as suas cascas contendo farinha, ou ainda a vassourada e as bordoadas com colheres e varas, ao som de tambores. Saltibancos, acrobatas das “danças da luta” ou tocadores de bombo e gaita-de-fole provenientes de Lisboa e que se dirigiam de Cacilhas até à Rua Direita de Almada (actual Rua Capitão Leitão) — através da Calçada da Pedreira -, encorajavam as folganças e as danças dos mascarados. A música e as danças constituíram sempre, e ainda constituem, uma das mais espontâneas manifestações de cultura popular.

A sátira era aproveitada nesta época para criticar figuras e alguns factos da comunidade. Em 1769, deu-se um acontecimento insólito em que meteu “saias”, com a presença de um padre e seis frades de Lisboa numa festa de família… na casa das «Espingardeiras», na vila de Almada. Estas mulheres eram assistentes, ora em Almada, ora em Lisboa. Esta casa, (habitada por Maria da Paz, uma mulher robusta, bem parecida e foliona, com as suas três sobrinhas, com idades de dezoito, vinte e vinte e três anos), então conhecida na vila, era também frequentada por alguns frades dos conventos de Lisboa quando dos passeios e banhos à Outra Banda. No dia 13 de Outubro daquele ano, fazia anos a Hilária, uma das ditas sobrinhas, e acorreram a festejá-los os frades (convidados) mais devotos da casa. O jantar fora demorado e alegre, com a presença de alguns músicos de Lisboa, correndo as despesas por conta do frei Francisco de Paula Bossio, (então vigário geral da Ordem de S. Francisco de Paula, pregador jubilado e autor da obra setecentista: «Vida prodigiosa e portentozos milagres do glorioso thaumaturgo S. Francisco de Paula»), não contando umas garrafas de Carcavelos, oferecidas por frei António Moniz). E pela noite, nos intervalos da dança, cantava-se e bebia-se, ou diziam-se segredos, pelo esconso dos aposentos. Devido à falta de discrição no festim em casa da Maria da Paz, a festa de aniversário acabou mal em Almada, e os frades foram presos, «em nome das justiças d`el-rei», pelo juiz de fora, o doutor José Manuel da Cruz Mendes. Este episódio brejeiro, que conheceu processos em tribunais eclesiásticos, após o envio do auto do juiz ao marquês de Pombal, foi satirizado pela vizinhança local e aproveitado nas loucuras do “Rei Momo” em alguns carnavais almadenses. Nos finais do século XIX, ainda se vivia na tradição da vila a fama de umas mulheres, que davam por alcunha de «Espingardeiras», não sendo de estranhar o anticlericalismo existente no operariado almadense, conforme a imprensa da época, nomeadamente «O Corticeiro».

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— Na próxima página: III. O Entrudo e a tipificação de folias (século XVIII).
— Bibliografia consultada em vários autores, como: José Ramos Tinhorão e Cândido Figueiredo, cit. na obra “Carnaval em Almada”, 1998, pp.18-25, 100.
— Imagem: Paródia de Carnaval. Reprodução da litografia de Lopes, in «Illustração Popular», 1866.

ALMADA E SUAS TRADIÇÕES – o Carnaval
VI. O Entrudo e a tipificação de folias (século XX): bailes e outras folias nas colectividades

Bailes de máscaras:

As associações recreativas passaram a ter, desde os princípios do século XX, um relevante papel ao nível da sociabilidade musical-dançante. Os seus associados, ligados ao operariado e à pequena-burguesia, eram agora os principais intervenientes nos programas carnavalescos.
Promoviam-se deslumbrantes bailes de máscaras abrilhantadas pelas orquestras, havendo prémios para as damas e cavalheiros que se apresentavam como melhores mascarados. Na segunda e terça feira, continuavam as festas, em especial os referidos bailes de mascarados nas colectividades até que houvesse bofes para dançar…
Quando um grupo de mascarados entrava numa colectividade, um deles tinha que mostrar o rosto a um membro da Direcção que se encontrava na entrada da sede social. Não era permitido dançarem dois mascarados do sexo masculino. Nestes dias deviam ser respeitadas as resoluções do «director de sala» ou «mestre-sala» que superintendia na morigeração do ambiente dançante.
Os festejos, desde as décadas de 1920 e 1930, começaram a entrar mais nas colectividades e a esmorecer um pouco nas ruas, com música ao vivo e ornamentação adequada, onde se realizavam grandiosas festas com quatro soarés e duas matinés
O “baile da pinhata”, caracterizado mais à frente, constituía uma das principais atracções carnavalescas.
As bandas de música animavam o ambiente, com música jazz, swing, slow, twsti, charleston inglês, rock, tango, música de samba e música portuguesa.
Além dos pequenos sacos confecionados com retalhos coloridos e cheios de feijão, milho, grão de bico, serradura, areia e até pedrinhas, as raparigas faziam outros sacos, feitos com sobras de fazenda em seda ou veludo, decorados com laços ou bordados em forma de coração, para atirarem aos rapazes. O lançamento destes últimos saquinhos tinha a subtil intenção de chamar a atenção dos seus preferidos. Porém, a maioria destes sacos eram “roubados” nos lançamentos. Eram também elas que faziam as “armas” para a “guerra das sacadas” nos salões dos bailes, nomeadamente as sacolas cheias de papéis e serpentinas. Nesta ocasiões, o namoro acabava muitas vezes em casamento, embora corresse um ditado popular: «casamento no Carnaval arranjado, no Natal está acabado».
Alguns brincalhões nas festas de Carnaval, abrilhantadas nas colectividades, compravam um bacio com cores garridas e florido. Cozinhavam uma mistela saborosa com doce, leite com creme e chocolate, incluindo pedaços de marmelada. Era ritual a distribuição desta mistela com uma colher de pau por todas as damas em volta da sala que com algum nervosismo e risos à mistura lá iam comendo o acepipe do penico…

Baile da Pinhata:

A festa do «baile da pinhata» realiza-se, em princípio, no primeiro domingo da Quaresma, com a tradicional quebra de uma enorme e fantasiosa pinha. Constitui ainda, nos nossos dias, uma das principais atracções nos programas festivos dedicados ao Carnaval.
Nos antigos bailes da «pinhata», a quebra da pinha era feita à paulada. A pinha, composta de uma esfera de papel cheia de confetis, apenas continha um único prémio no seu interior. E era aberta à cacetada por uma dama.
O acto apresentava-se da seguinte forma: a cada dama proposta para a abertura da pinha vendava-se-lhe os olhos com um lenço. Depois o «mestre da sala» dava-lhe o braço e fazia-a passear pelo recinto do baile até que a deixava num local em frente da pinha. A dama munida de um cacete tentava, em três pauladas, abrir a pinha para alcançar o almejado prémio. Acontecia porém que a maioria das cacetadas era dada em falso por causa da falta de visão. O mais burlesco desta cena era que uns gritavam tentando o ajustamento da pretendente para o lugar ideal, outros em jeito gozão, conseguiam enganá-la de forma a ela se abeirasse da assistência e, então, para gáudio geral, a «pinha» a partir pudesse ser outra.
Organizado pelas direcções das colectividades, os tradicionais bailes da «pinhata», desde o final da década de 1920, já se faziam de vários métodos quanto à abertura das pinhas onde se encontravam as surpresas.
Posteriormente, este baile continuou a ser cobiçado nas associações, devido ao empenho pela conquista das fitas premiadas, principalmente a que estava ligada ao fecho da pinha, na procura dos títulos de «Rei e Rainha do Carnaval». A pinha era, por exemplo, feita de arame e forrada de papel em várias camadas, até ficar sólida, levando depois uma camada de papel verde imitando a casca das pinhas. A mesma pode ser feita a abrir nos gomos que se quiser, conforme o artista que a faça ou abrir na parte inferior uma espécie de tampa. São colocadas à volta da pinha inúmeras fitas de seda de diversas cores com uma argola cosida na ponta, que podem ser todas ou parte delas premiadas, se os comerciantes corresponderem com os brindes. O melhor prémio é escolhido para os Reis e os outros são divididos por tantas pessoas quantas fitas numeradas permitirem.
A dança da pinha é organizada, em principio, em séries de dez a quinze pares, conforme o número de concorrentes. São chamados pelos nomes de acordo com o número de inscrição e assim é distribuído um pauzinho trabalhado sob a forma de uma batuta. O cavalheiro e a dama pegam nele ao mesmo tempo e dirigem-se às fitas que estão penduradas na pinha sem pararem de dançar, ao som da música. É a fase de grande emoção do público e dos nervos dos pares concorrentes. Os prémios vão saindo àqueles que conseguem introduzir o pauzinho na argola, puxando a fita no meio de aplausos. Quem conseguir tirar a fita, que está ligada ao fecho, é considerado o “Rei”. Nesta altura a miudagem corre debaixo da pinha para apanhar os papelinhos, as serpentinas e outros enfeites introduzidos. O par vencedor é chamado ao palco para ser coroado pelos “Reis” do ano anterior. Algumas colectividades têm mantos reais e até trono para a cerimónia da coroação. Então é dada a honra da dança só para o par vencedor, e os restantes só dançam quando os “Reis” os convidarem. Após a distribuição dos prémios termina o interesse deste baile.

Alexandre M. Flores

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– Continua na próxima página temática: VII. O Entrudo e a tipificação de folias (século XX); «Serração da Velha» e Cegadas.
– Imagens: a 1ª ilustra os bailes do Carnaval de 1960 no Salão de Festas da Incrível Almadense; a 2ª ilustra um baile de Carnaval no Clube José Avelino, em Fevereiro de 1933; a 3ª ilustra um concurso de Máscaras Infantis, organizado pela SFUAP em 1953; e a 4ª, um aspecto da pinha depois de aberta no Salão de Festas da SFUAP, no início da década de 1990.

Assembleia Municipal de Almada – 8 de Fevereiro 2018

Reportagem TV ALMADA no Vitíria Clube Quintinhas na Charneca de Caparica

O Ginjal antigo e os seus restaurantes…

ALMADA NA HISTÓRIA – Figuras e factos

Alexandre Flores no Facebook

“Os restaurantes, retiros e tabernas do Ginjal: antes e depois da implantação da República:

A história do Ginjal, da “Outra Banda”, perde-se na noite dos tempos. Nos meados da década de 1830, existiam doze armazéns de retém e uma taberna. Por volta do ano de 1845, o abastado comerciante João Teotónio Pereira reforçava a sua instalação comercial no famoso Cais do Ginjal, através do abastecimento de água aos navios e dos armazéns de vinho, azeite, aguardente e vinagre. Para mais, a família Teotónio Pereira veio a construir uma residência (sobretudo para férias) e uma pitoresca quinta, com várias árvores de fruta, em especial de ginga, nas traseiras dos edifícios dos referidos armazéns.
Desde a segunda metade do século XIX, o Ginjal era já um importante aglomerado industrial e operário, com os estaleiros navais de Hugo Parry (1860); armazéns de vinhos, vinagres e azeite; oficinas de tanoaria; fábricas de conservas de peixe; uma empresa de recuperação de estanho; armazéns de isco e frigoríficos para apoio dos navios de pesca do alto, o Grémio do Bacalhau; uma fábrica de óleo de fígado de bacalhau; oficinas e/ou armazéns de aprestos navais; uma fábrica de cal de Manuel Francisco Júnior; manipulação de cortiça; etc.

O Ginjal (1) compreendia toda a extensão da margem sul do Tejo, entre a Estação Fluvial, de embarque de Cacilhas, e os armazéns situados no cais, junto às “escadinhas” que dão acesso a Almada, pela “Boca do Vento”. Era um local muito frequentado pelos alfacinhas devido aos típicos retiros com os comes e bebes e onde se cantava o fado.
A vida castiça dos clientes que frequentavam as antigas tabernas e os “retiros” do Ginjal foi registada por alguns escritores e jornalistas de Lisboa. Desde os princípios da década de 1910, os “retiros” da “Marraca”, da “Parreirinha” e, em especial, do “Retiro Universo”, assim como a famosa taberna do “Corredor”, (que o Luís dos Galos veio a estabelecer-se poucos anos depois), eram locais muito procurados pelos alfacinhas. Por exemplo, o antigo “Retiro Universo”, situado junto ao cais que dava acesso pelo Ginjal, n.º 6 – escada, ou pela Rua das Terras, actual Rua Carvalho Freirinha, por vota de 1900, possuía um belo salão onde se exibia um dos melhores animatógrafos desta margem do Tejo, aos sábados e domingos. Atraídos pelo fado e boas caldeiradas e do vinho de “pique” ou de “agulha”, organizavam-se tertúlias que duravam de manhã até às altas horas da noite.
A taberna do “Corredor”, na qual estabeleceu-se o Luís dos Galos e a D. Emília, constituía ponto “sagrado” de reunião dos fadistas. O escritor Romeu Correia conta que por aqui passaram igualmente os mais famosos poetas populares: João Black, Carlos Pitocero, Júlio Janota «O Poço sem Fundo», Guilherme Coração e outos que tais.

A partir da implantação da República, alguns armazéns do Ginjal foram adaptados a restaurantes, onde as suas apreciadas caldeiradas, sardinhas assadas, ostras abertas nos fogareiros junto às suas portas, mariscos, faziam a delícia dos seus forasteiros que também ainda utilizavam o grande divertimento local: as burricadas. A noroeste do concorrido “Largo de Cacilhas”, as gentes passeavam, para a frente e para trás, na estreita passagem entre as casas do Ginjal e a Estação Fluvial, que dá acesso a um cais e, mais para sul, vivia-se a azáfama dos oficinas, dos armazéns e dos barcos atracados. Junto à dita passagem, a seguir à década de 1950, apenas existiam (excepto os restaurantes) armazéns e, em especial, depósitos de peixe e de vinho. Pode-se ver, na imagem, o edifício moderno sobre a falésia, que era uma fábrica de óleo de fígado de bacalhau. A partir de então, assiste-se a uma evolução modernista de alguns restaurantes que subiram andares, como foi o caso do conhecido e concorrido restaurante “Floresta”(2).

(Alexandre M. Flores)

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(1) Reprodução fotográfica da Margem Sul do Tejo, vendo-se em 1.º plano, o Ginjal, nos meados das décadas de 1940-50, deste a Estação Fluvial de Cacilhas até próximo dos armazéns do Teotónio Pereira. Foto da colecção do Arquivo da Administração do Porto de Lisboa.
(2) «Almada Antiga e Moderna- Freguesia de Cacilhas – Roteiro Iconográfico», 2.º volume, Edição da Câmara Municipal de Almada, 1987, pp. 156-179.”

Veja mais em ::::> Alexandre Flores

TVI vai gravar novela em Setúbal


Maria das Dores MeiraPresidente da CM Setúbal

“Assinei esta manhã, no Salão Nobre dos Paços dos Concelho, um protocolo de colaboração com a Plural Entertainment para a produção da telenovela “Jogo Duplo” em Setúbal, precisamente depois da gravação, nesta sala, de mais uma cena da série exibida diariamente na TVI. Na assinatura do documento estiveram presentes, além de Luís Cunha Velho e Luís Cabral, administradores da Plural, José Eduardo Moniz, consultor desta produtora, e os atores Diogo Infante, Vítor D’Andrade e a atriz Sandra Santos que, na telenovela desempenham os papéis de Manuel Qiang, Tomás Vaz e Melo e Emília Venâncio. Como afirmei nesta cerimónia, estamos certos de que o investimento municipal feito nesta produção televisiva, traduzido na isenção de taxas, será muitas vezes multiplicado na atração de visitantes, na geração de negócio e, acima de tudo, na transmissão da que é a verdadeira dimensão de Setúbal, ou seja, uma cidade moderna de escala europeia que se afirma, desde há muito, pelas suas capacidades na indústria e nos serviços e que consegue agora mostrar o seu melhor a todos em diferentes latitudes.”

Câmara do Seixal é a vencedora do Prémio Melhor Programação Cultural Autárquica 2017

O prémio será entregue na Gala do Prémio Autores, que se realiza no próximo dia 20 de Março, no Grande Auditório do CCB e com transmissão directa da RTP2.
+Info: http://bit.ly/Gala-SPA-2018

Plano de Pormenor do Cais do Ginjal agora em exposição

O projecto que vai mudar o cartão de apresentação de Cacilhas vai estar exposto no Fórum Municipal Romeu Correia até ao final deste mês.

06/02/2018
Francisca Parreira Vereadora da CM Almada no Facebook
“Hoje à tarde, na Inauguração da exposição relativa ao Plano de Pormenor do Cais do Ginjal, com a apresentação do arquiteto responsável, Samuel Torres de Carvalho, e a presença da Sra. Presidente da Câmara Inês de Medeiros. Lisboa vai ter a melhor vista sobre o Tejo em Almada.”

Olhar hoje para o Cais do Ginjal a partir do Cais do Sodré não é muito impressionante. Mas no ano passado Almada embarcou no projecto de reabilitação do cais de Cacilhas, uma ideia que tem vindo a ser mastigada desde 2009. A partir desta terça-feira e até ao final de Fevereiro, o Plano de Pormenor para o Cais do Ginjal estará em exposição no átrio do Fórum Municipal Romeu Correia.

É a fachada de Almada para quem a quer admirar a partir de Lisboa. Mas o cartão de apresentação do vizinho do sul anda há muito a precisar que lhe dêem mais atenção. A exposição inclui a maqueta do plano desenhado pelo arquitecto projectista Samuel Torres de Carvalho e realiza-se no âmbito do período de discussão pública, que decorre até 19 de Fevereiro.

O aumento do espaço público, a aproximação ao rio Tejo com segurança, a manutenção da memória histórica do território e a consolidação da arriba são as linhas gerais do plano destinado àquele quilómetro entre o terminal fluvial de Cacilhas e o Jardim do Rio.

Em concreto, a requalificação prevê a criação de uma praia e jardim do Ginjal, de um miradouro ao cimo da Rua Trindade Coelho, a construção de um silo automóvel com 600 lugares para acolher os fãs do futuro Ginjal, a instalação da Escola Internacional das Artes na antiga Fábrica de Óleo de Fígado de Bacalhau e do Centro de Indústrias Criativas do Ginjal, e a relocalização da Casa da Juventude e do Centro Paroquial de Almada. Ainda na manga do projecto estão actividades económicas ligadas ao património e ao turismo, espaços culturais, espaços de restauração e promoção da habitação para os mais jovens.

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Vídeo Câmara Municipal de Almada

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