Pescadores temem futuro com dragagens no Sado

Estuário guarda um tesouro arqueológico de navios naufragados.

Correio da Manhã

5/12/2019

O início das dragagens no estuário do Sado, previsto a partir de segunda-feira, provoca a contestação dos pescadores de Setúbal, que temem pelo futuro da atividade.

“Discordamos totalmente com os locais onde está previsto o depósito de lamas. Entendemos que está em risco o Sado, como maternidade que é para a pesca. Ninguém pode concordar quando estão em causa os seus postos de trabalho”, avança ao CM Ricardo Santos, presidente da Cooperativa de Pesca Setúbal, Sesimbra e Sines (Sesibal).

“Setúbal não é o escape de Lisboa para receber os contentores. Não podemos continuar agarrados à saia de Lisboa para receber as indústrias poluidoras”, acrescenta Ricardo Santos. “Em 1978 – lembra – haviam 258 espécies no estuário do Sado, hoje existem 50. É o resultado de sucessivos erros cometidos contra o ambiente.”

Também o movimento SOS Sado contesta o início dos trabalhos da draga, que deverá chegar ao Sado esta sexta-feira, refere David Nascimento, que integra o movimento. O SOS Sado disponibiliza no endereço draga.sossado.pt informação no momento sobre a localização da embarcação que irá aprofundar o canal de navegação no estuário. Esta quarta-feira, segundo David Nascimento, “a draga tinha atravessado o Canal da Mancha”.

David Nascimento recorda que o estuário guarda “um verdadeiro tesouro arqueológico com o registo de mais de 40 navios naufragados e restos do período romano”. “Com as dragagens, muito desse património vai desaparecer”, alerta. “Os trabalhos vão levantar uma grande quantidade de lamas com potencial risco de contaminação”, diz, por sua vez, Ricardo Santos. “As areias e lamas serão despejadas em zonas privilegiadas para o choco, linguado, raia, polvo, pregado, salmonete, sardinha ou carapau”, adianta.

A zona de despejo dos dragados que levanta maior preocupação aos pescadores é a restinga, área no oceano Atlântico em frente à praia de Troia. “Com as correntes marítimas muitas dessas lamas serão projetadas para a praia”, diz Ricardo Santos.

PORMENORES
Atenta a pescadores
A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra revela estar “atenta às preocupações dos pescadores”. Neste sentido “a deposição dos sedimentos iniciar-se-á pelo Terminal Ro-Ro”.

Pesca condenada
Celestino Pedro, pescador em Setúbal, considera que dotar o porto com um canal de águas profundas é o maior disparate do século e condena a pesca.

Obra de 25 milhões de euros
O projeto inicial prevê a retirada de 3,5 milhões de metros cúbicos de areia. A retirada total de 6,5 milhões representa um custo de 25 milhões de euros.

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