SOFLUSA | Ministro penitencia-se mas defende que são “dores de cura”

11 de Outubro 2017

Caos na Soflusa motiva reacções de PSD, CDS e PCP, além da União de Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN que lembra também os constrangimentos na Transtejo. Actual situação é insustentável. Soflusa voltou a ter mais um navio (Cesário Verde) a funcionar desde as 17h00 de hoje

O ministro do Ambiente penitenciou-se hoje e reconheceu ser “muito constrangedor” a situação vivida pelos utentes da ligação fluvial entre o Barreiro e Lisboa, que viram a Soflusa suprimir várias carreiras durante as horas de ponta.

“Neste momento esta é uma dor de cura, pela qual nos penitenciamos, gostaria que assim não fosse, não vou dizer que é indiferente uma coisa destas, em situação alguma. É muito constrangedor o que está a acontecer, estamos todos muito constrangidos com isto. Apelamos à compreensão de todos, sobretudo, porque, repito, são dores de cura e a situação vai melhorar”, afirmou hoje João Pedro Matos Fernandes.

O ministro do Ambiente, que tutela os transportes urbanos, falava aos jornalistas à margem da sessão de lançamento do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, na Culturgest, em Lisboa.

“Não tenham a mais pequena dúvida, que se não estivéssemos a fazer este esforço grande de investimento de dez milhões de euros na recuperação da frota dos navios da Transtejo e da Soflusa, os problemas seriam muitíssimo mais graves num tempo mais próximo”, frisou o governante.

Para o ministro do Ambiente, este processo de manutenção da frota é essencial para que, futuramente, a empresa possa cumprir os compromissos e os serviços assumidos.
“Isto são dores de cura, no sentido em que um conjunto alargado de navios está a ser reparado, alguns já foram, os outros dois que faltam estão agora a entrar em doca seca. Mas ficamos com um volume estável de seis navios que são o necessário para poder cumprir as nossas obrigações, incluindo em hora de ponta”, sublinhou Matos Fernandes.

Segundo o ministro do Ambiente, chegou-se a este ponto devido ao “desinvestimento continuado” em manutenção das frotas levado a cabo pelo anterior Governo, designadamente ao nível do transporte fluvial. O governante deixou, contudo, uma garantia. “O que dissemos em Maio ou Junho foi que a estabilidade da operação iria acontecer em 2018, e isso está assegurado, com a certeza de que estes navios quando têm de ser reparados e têm de ir para uma doca seca, têm de facto, às vezes, de ficar alguns meses em estaleiro para poder ser reparados”, explicou.

Reforço da ligação após caos

A ligação fluvial entre o Barreiro e Lisboa passou a contar, desde a tarde de hoje, com o serviço de mais um navio da Soflusa. Num curto comunicado de Imprensa, a empresa anunciou que já tem mais uma embarcação a efectuar carreiras fluviais desde as 17h00 de hoje.

“A Soflusa, S.A. informa que a sua frota será reforçada a partir das 17h00, de hoje, com o navio “Cesário Verde”, pode ler-se no comunicado enviado pela empresa.

Recorde-se que ontem, a Soflusa já havia emitido um outro comunicado a apelar para que os utentes evitassem as carreiras entre as 8 e as 9h00, depois de terem sido verificados alguns ferimentos em passageiros, na altura do embarque no cais do Barreiro. Uma mulher desmaiou, outros passageiros ficaram magoados e vários sentiram-se mal, quando muitos forçaram a entrada na zona de embarque.

A Soflusa é a empresa responsável pelas ligações entre o Barreiro e Lisboa, enquanto a Transtejo faz as ligações do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão com a capital.

PSD quer que empresa devolva dinheiro dos passes

Entretanto, hoje, também através de comunicados de Imprensa, PSD, CDS e PCP destacaram a situação que tem estado a afectar a mobilidade entre as duas margens.

Bruno Vitorino, deputado social-democrata eleito pelo círculo de Setúbal, classificou de “inqualificável e vergonhosa” a situação, devido à anulação de carreiras por parte da Soflusa, considerando que os utentes devem receber o dinheiro do passe de volta.

“Todos sabem que é impensável fazer este serviço com apenas quatro navios. É inconcebível que a empresa e o Governo deixem chegar a situação a este ponto. Já era mau para os utentes a supressão de carreiras em hora de ponta decididas pela administração, ao que agora se junta este problema”, refere em nota de Imprensa.

Para o social-democrata, os utentes deste serviço estão a ser “gravemente prejudicados”, tendo em conta que são “supressões atrás de supressões”.

“Neste momento, são muitos os problemas que esta situação causa aos milhares de pessoas que têm que chegar a horas aos seus empregos e às aulas”, lembrou.

CDS sem resposta da tutela

Já os deputados do CDS-PP Nuno Magalhães, Álvaro Castello-Branco e Hélder Amaral querem saber que medidas estão a ser tomadas pelo Ministério do Ambiente para, com urgência, resolver a situação da Soflusa. Em comunicado, os centristas recordam que questionaram o Ministro do Ambiente sobre “se é verdade que a supressão de carreiras se deve a atrasos nas renovações dos Certificados de Navegabilidade dos navios, e, se sim, que medidas estão a ser tomadas para renovar os referidos certificados”. Além disso, perguntaram ainda “para quando está prevista a concretização do investimento de 10 milhões de euros para o plano de manutenção da frota de navios das operadoras Transtejo e Soflusa”.
“Já em Março último, o Grupo Parlamentar do CDS-PP questionou o Ministro do Ambiente sobre a degradação do serviço fluvial, prestado pela Transtejo/Soflusa, entre o Barreiro e o Terreiro do Paço/Lisboa, questionando que medidas estavam, então, a ser tomadas para resolver os problemas que afectam este serviço, prejudicando diariamente milhares de utentes. Até à data de hoje, não houve qualquer resposta por parte da tutela”, concluem.

PCP pede audiência ao ministro

Por seu lado o PCP, através do deputado Bruno Dias, adiantou em comunicado que solicitou uma “audição do Ministro do Ambiente e do Conselho de Administração da Transtejo/Soflusa”, relativamente à situação. Os comunistas lembram que importa também registar que “em todo o serviço de transporte fluvial, não só da Soflusa como também da Transtejo (com as ligações de Lisboa a Cacilhas, Trafaria, Seixal e Montijo) se registam problemas graves, desde logo na operacionalidade da frota, mas inclusive de falta de pessoal, com supressões de serviços na empresa”

“O problema da falta de meios e condições de operacionalidade nos transportes públicos tem sido suscitado pelo PCP de forma reiterada, e o quadro de enorme gravidade nestas empresas em concreto foi especificamente abordado, quer na anterior quer na actual legislatura. A situação que actualmente se verifica exige uma abordagem urgente na Assembleia da República”, sublinha o PCP a concluir.

Sindicatos de Setúbal também querem navios em Montijo e Seixal

A União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN também emitiu hoje um comunicado. Os sindicalistas esperam que “entrem ao serviço no mais curto espaço de tempo duas embarcações da Transtejo, uma de reserva para o Seixal e outra para o Montijo, de forma a não causar mais problemas aos utentes e trabalhadores”.

“Tal como sempre afirmámos, é necessário manter com regularidade os serviços de manutenção para as pequenas avarias, reforçando os serviços com mais trabalhadores, de forma a prevenir a avaria e não proceder ao arranjo só em último caso”, afirmam, salientando que na Soflusa “é necessário repor as seis embarcações no mais curto espaço de tempo, de forma a não existirem mais sobressaltos no serviço público, nem supressão de carreiras”.

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