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O Ginjal antigo e os seus restaurantes…

ALMADA NA HISTÓRIA – Figuras e factos

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“Os restaurantes, retiros e tabernas do Ginjal: antes e depois da implantação da República:

A história do Ginjal, da “Outra Banda”, perde-se na noite dos tempos. Nos meados da década de 1830, existiam doze armazéns de retém e uma taberna. Por volta do ano de 1845, o abastado comerciante João Teotónio Pereira reforçava a sua instalação comercial no famoso Cais do Ginjal, através do abastecimento de água aos navios e dos armazéns de vinho, azeite, aguardente e vinagre. Para mais, a família Teotónio Pereira veio a construir uma residência (sobretudo para férias) e uma pitoresca quinta, com várias árvores de fruta, em especial de ginga, nas traseiras dos edifícios dos referidos armazéns.
Desde a segunda metade do século XIX, o Ginjal era já um importante aglomerado industrial e operário, com os estaleiros navais de Hugo Parry (1860); armazéns de vinhos, vinagres e azeite; oficinas de tanoaria; fábricas de conservas de peixe; uma empresa de recuperação de estanho; armazéns de isco e frigoríficos para apoio dos navios de pesca do alto, o Grémio do Bacalhau; uma fábrica de óleo de fígado de bacalhau; oficinas e/ou armazéns de aprestos navais; uma fábrica de cal de Manuel Francisco Júnior; manipulação de cortiça; etc.

O Ginjal (1) compreendia toda a extensão da margem sul do Tejo, entre a Estação Fluvial, de embarque de Cacilhas, e os armazéns situados no cais, junto às “escadinhas” que dão acesso a Almada, pela “Boca do Vento”. Era um local muito frequentado pelos alfacinhas devido aos típicos retiros com os comes e bebes e onde se cantava o fado.
A vida castiça dos clientes que frequentavam as antigas tabernas e os “retiros” do Ginjal foi registada por alguns escritores e jornalistas de Lisboa. Desde os princípios da década de 1910, os “retiros” da “Marraca”, da “Parreirinha” e, em especial, do “Retiro Universo”, assim como a famosa taberna do “Corredor”, (que o Luís dos Galos veio a estabelecer-se poucos anos depois), eram locais muito procurados pelos alfacinhas. Por exemplo, o antigo “Retiro Universo”, situado junto ao cais que dava acesso pelo Ginjal, n.º 6 – escada, ou pela Rua das Terras, actual Rua Carvalho Freirinha, por vota de 1900, possuía um belo salão onde se exibia um dos melhores animatógrafos desta margem do Tejo, aos sábados e domingos. Atraídos pelo fado e boas caldeiradas e do vinho de “pique” ou de “agulha”, organizavam-se tertúlias que duravam de manhã até às altas horas da noite.
A taberna do “Corredor”, na qual estabeleceu-se o Luís dos Galos e a D. Emília, constituía ponto “sagrado” de reunião dos fadistas. O escritor Romeu Correia conta que por aqui passaram igualmente os mais famosos poetas populares: João Black, Carlos Pitocero, Júlio Janota «O Poço sem Fundo», Guilherme Coração e outos que tais.

A partir da implantação da República, alguns armazéns do Ginjal foram adaptados a restaurantes, onde as suas apreciadas caldeiradas, sardinhas assadas, ostras abertas nos fogareiros junto às suas portas, mariscos, faziam a delícia dos seus forasteiros que também ainda utilizavam o grande divertimento local: as burricadas. A noroeste do concorrido “Largo de Cacilhas”, as gentes passeavam, para a frente e para trás, na estreita passagem entre as casas do Ginjal e a Estação Fluvial, que dá acesso a um cais e, mais para sul, vivia-se a azáfama dos oficinas, dos armazéns e dos barcos atracados. Junto à dita passagem, a seguir à década de 1950, apenas existiam (excepto os restaurantes) armazéns e, em especial, depósitos de peixe e de vinho. Pode-se ver, na imagem, o edifício moderno sobre a falésia, que era uma fábrica de óleo de fígado de bacalhau. A partir de então, assiste-se a uma evolução modernista de alguns restaurantes que subiram andares, como foi o caso do conhecido e concorrido restaurante “Floresta”(2).

(Alexandre M. Flores)

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(1) Reprodução fotográfica da Margem Sul do Tejo, vendo-se em 1.º plano, o Ginjal, nos meados das décadas de 1940-50, deste a Estação Fluvial de Cacilhas até próximo dos armazéns do Teotónio Pereira. Foto da colecção do Arquivo da Administração do Porto de Lisboa.
(2) «Almada Antiga e Moderna- Freguesia de Cacilhas – Roteiro Iconográfico», 2.º volume, Edição da Câmara Municipal de Almada, 1987, pp. 156-179.”

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