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2006 – Demissão Carlos Sousa não esconde surpresa

carlos Sousa

Maria das Dores Meira, actual vereadora da Cultura e vice- -presidente da Autarquia, será a sucesora de Carlos Sousa. Com este sai também Aranha Figueiredo, vereador do Urbanismo. Entram para o Executivo Eusébio Candeias e Rui Higino, actual presidente da Junta de Freguesia do Sado. André Martins, de Os Verdes, mantém o lugar, completando, assim, a bancada dos eleitos da CDU. A nova líder da Autarquia, de 49 anos, é licenciada em Direito pela Universidade Internacional e pós-graduada em Direito da Propriedade Industrial, tendo sido eleita vereadora da Câmara de Setúbal nas eleições autárquicas de Dezembro de 2001 e reeleita em 2005. Ao longo dos cinco anos de mandato foi responsável pelos pelouros da Educação, Cultura, Desporto, Juventude e Inclusão Social. Em termos profissionais, Maria das Dores Meira exerceu advocacia em 1997, é proprietária e fundadora das empresas Tecnimarca, MPI e Criativus e foi presidente da Associação de Pequenos Empresários da Região de Setúbal.

“Saio surpreendido com a decisão do partido. Não estava à espera”. Carlos Sousa, o ainda presidente da Câmara Municipal de Setúbal, apresentou, ontem, a renúncia ao seu mandato, com efeitos a partir do próximo dia 7 de Setembro. A decisão foi tomada após um pedido do PCP, que resolveu aceitar tendo em conta a “coerência” com o que defendeu ao longo de 26 anos como autarca.

Carlos Sousa escusou-se a comentar as razões que estiveram na base desta decisão do partido, mas negou a existência de “falta de coordenação” entre os eleitos da CDU, bem como reafirmou não ter conhecimento de um alegado relatório da IGAT que recomenda a dissolução da Autarquia, por causa das aposentações compulsivas de cerca de 60 funcionários. Sobre este assunto, adiantou estar “perfeitamente tranquilo, pois, sublinhou, “actuámos dentro da legislação”, ao mesmo tempo que deixava no ar algumas suspeitas “Foi uma fuga propositada de informação organizada por alguém do Governo”.

Entretanto, a Presidência do Conselho de Ministros emitiu, ontem à tarde, uma nota onde reafirma a existência de um inquérito à Câmara de Setúbal, que se encontra “em ponderação final, considerando, quanto à oportunidade da sua divulgação, o facto de a matéria ter sido igualmente participada ao Ministério Público”. A nota classifica ainda de “infundadas” as afirmações de Carlos de Sousa, sendo que realça que a adopção de qualquer iniciativa do Governo no exercício das suas competências de tutela administrativa “será sempre precedida de audição à Câmara Municipal”.

Na breve nota que leu, Carlos Sousa recordou o passado de autarca e em particular os dois mandatos à frente da Câmara de Setúbal e garantiu “Neste momento, não interessa se estou de acordo ou não com a decisão do partido”. Desde há muito apontado como um “renovador”, Carlos Sousa reconheceu ontem que nem sempre esteve de acordo com as orientações do PCP, mas, frisou nunca ter discutido esses assuntos na praça pública.

Os dirigentes do PCP mantêm o silêncio, tendo sido emitido um comunicado, na madrugada da passada terça-feira, onde foi dado conta das decisões tomadas durante uma reunião da Comissão Concelhia de Setúbal do PCP, a que Carlos de Sousa assistiu.Documento onde era confirmado o inevitável, ou seja, a substituição de Carlos de Sousa por Maria das Dores Meira, actual vereadora da Cultura e vice- -presidente da Autarquia.

Logo após as explicações de Carlos Sousa, o líder da concelhia local do PSD, Paulo Valdez, que, tal como o seu homólogo do PS é vereador, exigiu a realização de eleições intercalares, adiantando que “Fernando Negrão é o candidato do PSD”. E instou o PS a fazer o mesmo, sublinhando o facto de estes terem tido “uma oposição mais radical”.

PSD e PS têm na mão a hipótese de fazer cair a Câmara, já que, juntos, detêm a maioria dos pelouros, o que, no entanto, só acontecerá se todos os membros das duas listas pedirem renúncia.

Idade 55 anos

Profissão Autarca

Estado civil Casado

A “estrela” comunista nas autárquicas de 2005 caiu após seis anos de gestão, deixando a Câmara de Setúbal numa situação financeira pior do que a encontrou, devido aos gastos com pessoal, que tanto criticou à presidência do socialista Mata Cáceres. Carlos Sousa possui uma carreira de 26 anos no poder local e já foi considerado um “autarca- -modelo” do PCP. Por isso, não tem uma má imagem, apesar das recorrentes críticas dos socialistas de Setúbal e de não ter qualquer pejo em mandar calar os munícipes que sejam desagradáveis nas reuniões de Câmara. Prevaleceu sempre o seu lado dialogante e de “bom trato”, talvez por nunca ter esquecido as raízes humildes de mero trabalhador da Lisnave, onde ingressou em 1973 como programador informático. O autarca, que começou a actividade política em 1980 como vereador em Almada, ficou conhecido, porém, pelos gostos peculiares em termos de moda. Fanático pelas chamadas “camisas com gola de padre”, gostava de as ter sempre apertadas até cima. A moda pegou e, pouco depois de chegar à Câmara de Setúbal, muitos dirigentes comunistas começaram a copiar a sua imagem de marca cultivada sobretudo durante a presidência da Câmara de Palmela, que ocupou de 1990 a 2001. Recentemente, Carlos Sousa passou a usar fato completo mas não prescindiu das meias com bonecos de banda desenhada. Inconstante em termos de amores – já casou, pelo menos, três vezes -, o autarca é visto também como um pouco namoradeiro. É notória ainda a paixão do “renovador” comunista por cães de raça “boxer” e pelas motas. Tal como prometeu, em 2001, quando chegou a Setúbal, pertence aos dois motoclubes do concelho.

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