Tag: Inês Medeiros

“Balanço positivo” ou “retrocesso”? Um ano de Inês de Medeiros em Almada

3 de Outubro 2018

A socialista Inês de Medeiros está há um ano em funções como presidente da Câmara Municipal de Almada, que mantinha a mesma cor política desde 1976
© Jorge Amaral/Global Imagens

A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros (PS), afirmou ao DN que “o balanço global” do primeiro ano de mandato socialista “é positivo”, opinião que é partilhada por PSD, mas os partidos à esquerda discordam e queixam-se de “retrocesso e indefinição de políticas” por parte do novo executivo.

Inês de Medeiros protagonizou uma das vitórias mais comentadas nas eleições autárquicas do ano passado ao conquistar a Câmara de Almada à CDU – a autarquia esteve sob a alçada comunista desde 1976. Um ano depois, a autarca de Almada afirmou ao DN que “o balanço global é positivo” e que houve boas reações à chegada do novo executivo – que além da presidente é composto por três vereadores do PS e dois do PSD com pelouros, e mais quatro da CDU e uma do BE sem pelouro.

Inês de Medeiros considerou que “no primeiro ano tem que se prosaicamente ‘arrumar a casa'” e isso levou a que mais não fosse feito: “Gostaríamos de ter ido mais longe, de fazer mais durante o primeiro ano.”

Para 2019, uma das bandeiras do executivo vai ser a “reabilitação do ginjal de Almada”

O executivo também é “totalmente diferente” e isso obriga a “uma nova forma de trabalhar”, com “momentos de adaptação que são necessários”, porque a ótica é a de mudança e não a de continuidade. E qualquer alteração na Câmara Municipal de Almada “é vista, certamente, como um questionar das decisões políticas anteriores”.

Quanto a resultados financeiros, apesar de não avançar números, a presidente do município referiu que “os resultados serão simpáticos”.

As conversações com a CDU e o Bloco não foram “um diálogo fácil”, mas Inês de Medeiros lembrou que ainda há mais três anos de mandato: “É o primeiro ano, daqui para a frente espero ter mais terreno para diálogo [com as outras forças políticas].”

Para 2019, uma das bandeiras do executivo vai ser a “reabilitação do ginjal de Almada”.
PSD concorda

O Partido Social-Democrata partilha do balanço feito pela presidente da Câmara de Almada. O vereador dos Espaços Verdes, Ambiente e Energia, Nuno Matias (PSD), afirmou ao DN que a autarquia está a trabalhar para tornar “Almada um concelho que seja o melhor para investir, para visitar e para morar”. “Fazendo diferente estamos a fazer melhor, envolvendo e respeitando os trabalhadores, concretizando um processo de decisão e construção de novos projetos”, referiu.

Há problemas, contudo, que persistem e o lixo é um deles. Nuno Matias explicou que “a capacidade de resposta em relação ao sistema de recolha de resíduos tinha muitas deficiências”, como, por exemplo, “uma frota automóvel que tinha uma idade média de mais de 15 anos”. “O período de melhoria não era automático”, refere.
Oposição fala em “retrocesso”

A CDU, que saiu derrotada pela primeira vez no concelho de Almada em 41 anos, é da opinião que o novo executivo foi um passo atrás no concelho e tece as maiores críticas à liderança de Inês de Medeiros. O vereador José Gonçalves afirmou que o “balanço é de retrocesso” e de “perda de ligação com as pessoas, com as instituições” e queixou-se da falta de reuniões camarárias descentralizadas para escutar os problemas dos munícipes.

“Há uma perda de resposta. A Câmara Municipal de Almada não tem uma voz de defesa das populações, dos interesses locais”, vincou, lembrando que o “trânsito foi apresentado como uma proposta de intervenção prioritária [durante a campanha] e não se viu nada” um ano depois. “Acho que este mandato está a ser penalizador para o nosso concelho, pela perda de apoios às nossas instituições culturais, sociais”, criticou.

Já o ambiente entre os partidos que compõe o executivo é de “confronto político” e de “submissão ao poder central”, sem apresentação “de ideias e propostas”.

A falta de respostas do executivo é posição partilhada pela única vereadora bloquista da Câmara de Almada, Joana Mortágua. A autarca afirmou ao DN que, apesar de compreender que a Câmara Municipal de Almada “nunca teve um executivo de outra cor” e por essa razão “não é fácil chegar e gerir”, há ainda muita indefinição quanto ao rumo que o executivo quer tomar.

“Há um conjunto de matérias em que achamos que já podíamos ter mais definição do que vai acontecer, não compreendemos qual é a posição da Câmara em relação à necessidade de ter operadores públicos de transporte no concelho de Almada”, exemplificou.

A bloquista continua “à espera de uma definição de política habitacional”, um dos “problemas gravíssimos que Almada tem”, assinalando, contudo, estar a par de que “está a ser feito o levantamento para efeitos de arrendamento social”. “Estamos numa fase em que, na gestão corrente [do município], não há perspetiva de melhorias significativas. E em relação “às mudanças que estão a acontecer nos apoios à política cultural, às associações, política habitacional e património, ainda não se percebe para onde é que nos levam”, lamentou, dizendo também que é insuficiente o “apoio que é dado de material [escolar] no início do ano letivo”, por não estar a ser “distribuído de forma universal”.

Joana Mortágua concluiu que “a grande dúvida de toda a gente” é qual vai ser a resposta da autarquia “aos grandes problemas” do concelho.
Associações criticam burocracia demorada

As associações contactadas pelo DN consideraram que no último ano houve mais atrasos nos processos burocráticos e no diálogo com a Câmara Municipal de Almada. Em comunicado enviado ao DN, a União Concelhia das Associações de Pais de Almada notou que “os processos são um pouco mais morosos” e acrescenta que “os canais comunicacionais poderiam e deviam ser mais ágeis”.

A associação considera, contudo, que os atrasos da autarquia se poderão explicar com a necessidade de “adaptação e conhecimento das diversas realidades e das dinâmicas das diferentes associações existentes” e é “preciso dar tempo ao tempo”.

Os atrasos e falta de canais para comunicar com a autarquia também são a queixa apresentada pelo presidente da Associação de Coletividades do Concelho de Almada (ACCA), Jorge Rocha, que referiu ainda não ter conseguido contactar o município durante o último ano. “Temos protocolos celebrados [com a autarquia] em anos anteriores, mas estamos em outubro, precisamente um ano depois das eleições, e ainda não temos nada definido de o que vamos obter”, explicou.

Jorge Rocha refere que a ACCA fez “os chamados pedidos de apoio através das plataformas [da autarquia], tudo o que é o ritual”, a que associação já está habituada, mas parece “nada acontece”. “Continuamos sempre a aguardar resposta”, lamentou.

Veja mais em ::::> Diário de Notícias

Almada Município paga 200 mil euros por ano por quinta que ainda não usou

Inês Medeiros anunciou que vai remeter ao Ministério Público o contrato de arrendamento. O seu antecessor diz que intenção era acolher ali o espólio do pintor Rogério Ribeiro.

Francisco Alves Rito
14 de Fevereiro de 2018
O arrendamento de um imóvel pela Câmara de Almada, a particulares, por 200 mil euros por ano, está a provocar polémica entre o actual e o anterior executivos municipais. Inês de Medeiros diz que a casa nunca foi usada pelo município e vai remeter o contrato ao Ministério Público para averiguar se há “gestão danosa”.
PUB

O caso foi revelado por Inês de Medeiros durante a última assembleia municipal. “Se quer absolutamente um sinal de má gestão, ou de gestão menos rigorosa, eu terei todo o gosto em fazer-lhe chegar um contrato de aluguer [arrendamento] feito pelo anterior executivo, na ordem dos 200 mil euros ano, do edifício, uma casa particular, junto ao Koi Park, para não se sabe bem o quê”, atirou a autarca eleita pelo PS para um deputado municipal da CDU.

A autarca referiu que, em Janeiro, o novo executivo socialista tentou anular o contrato, de modo a não pagar a primeira prestação semestral deste ano, no valor de 100 mil euros, mas não o conseguiu, pelo que os pagamentos de rendas aos proprietários do imóvel somam já um total de 300 mil euros.

“Alguém me há-de explicar porque é que o Município de Almada alugou em 2016, por 200 mil euros ano, uma casa particular de que nunca pediu sequer a chave”, afirmou Inês Medeiros, referindo que “alegadamente” o espaço seria destinado a acolher o espólio de Rogério Ribeiro e uma bienal artística embora essas finalidades não constem do contrato.

Joaquim Judas (CDU), anterior presidente da autarquia confirmou ao PÚBLICO a celebração do contrato com os proprietários do imóvel, a família Alves e o Koi Park, mas justifica-o com o interesse municipal. “Trata-se de uma espaço de vários hectares, de grande qualidade paisagística, considerado um dos melhores jardins de Portugal, com óptimas acessibilidades à Ponte 25 de Abril, ao Centro-Sul e outras direcções do concelho, com ligação directa à auto-estrada, e situado numa zona de grande afluência de público, onde está o Fórum Almada, e com continuidade com o Parque da Paz”, disse o comunista.

O agora vereador explica que o espaço, a Quinta dos Espadeiros, se destinava a acolher o espólio de Rogério Ribeiro, que o município estava a negociar com a família do artista, e que o arrendamento foi uma “alternativa transitória” para a solução definitiva que seria a criação do Museu de Arte Contemporânea, com o nome do pintor, junto à Casa da Cerca, mas cujo custo de construção é de seis milhões de euros e demorará vários anos”.

“Pareceu-nos na altura ser necessário fazer esse contrato para criar condições para que o protocolo entre o município e a família pudesse ser concluído o mais rapidamente possível”, disse, defendendo que Almada tem “hipótese de vir a acolher o espólio, que é de grande valor artístico e de enorme interesse para o município”.

O espaço serviria também, ainda de acordo com o autarca comunista, para acolher a Bienal de Escultura de Almada que o município estava a organizar, tendo já criada, antes das eleições autárquicas, uma equipa de trabalho que incluía o escultor José Aurélio. O ex-presidente explica estar em causa um “contrato de arrendamento não habitacional, com prazo certo, e opção de compra em que o valor pago de rendas será descontado no preço de compra”. A quinta está avaliada em 9,5 milhões de euros.

De acordo com o autarca comunista, o anterior executivo tinha, em Setembro de 2017, o protocolo com a família do pintor Rogério Ribeiro “em fase de conclusão” pelo que, alerta, “era bom” que a actual presidente “tratasse seriamente” este caso e “se preocupasse” em fechar o acordo. Joaquim Judas lamenta que uma “questão que aconselha algum resguardo, por estar em fase negocial, seja colocada na praça pública de forma desadequada e incorrecta” e assegura que a CDU está “disponível para dar todos os esclarecimentos”.
Contrato não foi aprovado na câmara

O contrato de arrendamento, celebrado em nome do município em 2016, não foi aprovado em reunião de câmara. O vereador do PSD, Nuno Matias, disse ao PÚBLICO não ter conhecimento de que a decisão tenha sido levada ao executivo municipal e o anterior presidente confirma. “Não foi a reunião de câmara porque não fui informado pelos serviços dessa necessidade e porque estávamos convencidos, em 2016, de que o processo fosse mais rápido”, disse Joaquim Judas ao PÚBLICO.

Acabou por passar mais de um ano sem que o protocolo com a família do artista fosse assinado porque o “problema arrastava-se por razões diversas”, acrescenta o agora vereador da CDU. Mas “caminhava-se para um entendimento com a família que achou a ideia aceitável”, concluiu.
PSD quer acelerar auditoria

Na sequência desta polémica, os dois vereadores do PSD no executivo, com quem a maioria relativa do PS tem um acordo de governo do município, vão pedir maior rapidez na auditoria às contas municipais. “É um negócio com contornos pouco claros, que não foi aprovado em reunião de câmara e que não percebemos porque foi feito, se a autarquia nem utilizou o espaço”, diz Nuno Matias. Segundo o eleito do PSD, trata-se de “mais um negócio feito pelo anterior executivo que usou dinheiros públicos de forma pouco séria”.

Os eleitos social-democratas afirmam que “foi precisamente por causa deste género de coisas que o PSD propôs, logo no início do mandato, a realização de uma auditoria às contas municipais”.

Os dois vereadores vão agora, na reunião de câmara marcada para o próximo dia 21, pedir que seja “acelerado o calendário da auditoria”.

Os quatro vereadores da CDU eleitos em Almada, emitiram um comunicado, esta quarta-feira à tarde, onde basicamente repetem os esclarecimentos prestados por Joaquim Judas. “Importa sobretudo que, no quadro das reavaliações que se façam e das orientações que se tomem, o superior interesse do município seja defendido na salvaguarda e preservação do que pode vir a ser um muito importante e valioso património”, refere a nota assinada por Joaquim Judas, José Gonçalves, Amélia Pardal e António Matos.

Quinta dos Espadeiros – Koi Park

“Já me habituei a ser Sra. Presidente, mas nas ruas de Almada chamam-me Inês”


29 de Janeiro 2018

Ganhou Almada para o Partido Socialista nas últimas autárquicas. Acabou assim o ciclo de mandatos consecutivos liderados por comunistas. Não foi “fácil”, admite a autarca que foi atriz.

Foi em outubro passado, depois de uma inesperada vitória do Partido Socialista em Almada, que Inês de Medeiros assumiu o papel mais improvável. Ex-atriz, que passou pelo Parlamento como deputada, Inês de Medeiros ficou em primeiro lugar na autarquia que até então só conhecia executivos comunistas. 313 votos garantiram-lhe a presidência da Câmara Municipal.

A passagem de serviço, admite não “foi fácil”, mas o tempo há de continuar a diluir os efeitos da sua conquista nas eleições autárquicas. Para governar Almada, Inês de Medeiros chegou a acordo com o PSD. O bloco central, diz, funciona de forma “muito clara, muito boa e muito transparente. Temos uma ótima colaboração”.

No dia em que apresenta o primeiro orçamento camarário, esta segunda-feira, Inês de Medeiros confessa que não sabe até onde vai viver da política. Rejeita planos demasiado longos, porque “as circunstâncias, às vezes, são mais fortes que as vontades pessoais”.

Por agora dedica-se a Almada, ainda a conhecer os cantos à casa e a dar-se a conhecer, com mais ou menos formalismo. “Já me habituei a ser Sra. Presidenta, mas na rua os almadenses chamam-se Inês e eu gosto que me tratem assim, apesar de em certas ocasiões ser necessário um tratamento mais formal”.

CLICK aqui para ouvir a entrevista a Inês Medeiros

Veja mais em ::::> TSF

Distribuição de Pelouros na Câmara Municipal de Almada para o mandato de 2017/2021

Inês Medeiros PS
Administração e Finanças, Comunicação, Planeamento Estratégico, Mobilidade e Transportes, Renovação Urbana e Cultura.

Francisca Parreira PS
Proteção Civil e Segurança, Assuntos Jurídicos e Fiscalização Municipal, Administração Urbanística, Atendimento ao Munícipe.

João Couvaneiro PS
Economia e empreendedorismo, Turismo, Sistemas de Informação, Planeamento Urbanístico, Obras, Educação e Desporto

Teodolinda Silveira PS
Recursos Humanos e Serviço de Saúde Ocupacional, Higiene Urbana, Ação e Intervenção Social, Habitação.

Nuno Matias PSD
Espaços Verde, Ambiente e Energia

Miguel Salvado PSD
Rede Viária, Logística e Frota

Fonte ::::> António Matos

Inês Medeiros presente em Aniversário do Quintinhas

A nova Presidente da Câmara de Almada participou pela primeira vez numa cerimónia de uma colectividade do Concelho.

Foto : Madalena Mota


O Vitória Clube das Quintinhas fez 28 anos e para celebrar a data organizou no dia 5 de Novembro uma Sessão Comemorativa onde estiveram presentes para alem de Inês Medeiro estiveram presentes os também recém eleitos Presidente da Assembleia Municipal , José Joaquim Leitão e Presidente da União de Freguesias Charneca-Sobreda , Pedro Miguel Amorim Matias entre outros.

Foto
Madalena Mota

Henrique Santos

Inês Medeiros Presidente da Câmara Municipal de Almada

28 de Outubro 2017
Teatro Joaquim Benite – Almada

veja mais em :::> Autárquicas 2017

Câmara Municipal de Almada

Inês de Medeiros tomou posse como Presidente da Câmara Municipal de Almada, numa cerimónia realizada no dia 28 de outubro, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.

Inês de Medeiros torna-se assim na quarta Presidente da Câmara Municipal de Almada em funções desde as primeiras eleições autárquicas, em 1976.

A assistir ao ato de instalação dos órgãos municipais – Câmara e Assembleia – estiveram, entre outros, o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, e a Secretária de Estado Adjunta e da Modernização Administrativa, Graça Fonseca.

Com a Tomada de Posse agora realizada, o executivo da CMA para o mandato 2017 – 2021 tem a seguinte constituição:

Presidente:
Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida – PS

Vereação
Francisca Luís Batista Parreira – PS
João Luís Serrenho Frazão Couvaneiro – PS
Maria Teodolinda Monteiro Silveira – PS
Joaquim Estêvão Miguel Judas – CDU
José Manuel Raposo Gonçalves – CDU
Maria Amélia de Jesus Pardal – CDU
António José de Sousa Matos – CDU
Nuno Filipe Miragaia Matias – PSD
Miguel Ângelo Moura Salvado – PSD
Joana Rodrigues Mortágua – BE

Na mesma sessão, José Courinha Leitão, eleito pelo PS, tomou posse como Presidente da Assembleia Municipal de Almada.

Veja Mais em ___> CM Almada

Inês de Medeiros: “Assustada não diria, mas é uma tarefa grande”

4 de Outubro 2017

Na noite eleitoral, o presidente cessante, Joaquim Judas, telefonou-lhe duas vezes mas não falaram sobre o futuro. Essa conversa começa agora, com todas as forças eleitas.

A presidente eleita está a resolver as últimas coisas no Inatel e no Teatro da Trindade, mas sabe que quer trabalhar em articulação com os outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa porque sem isso não há soluções para questões essenciais como a mobilidade. Gosta de cacilheiros, sim, “esse é o transporte mais rápido, eficaz e limpo entre as duas margens”.

Não está assustada com a tarefa gigante que tem entre mãos?

ssustada não diria, porque sou uma otimista, mas estou consciente de que é uma tarefa grande. Todos nós que nos apresentamos a eleições temos de ter consciência de que representamos mais do que nós próprios e a nossa força partidária. O tempo da disputa política, que é saudável e desejável em democracia, acabou. Agora é trabalhar por aquilo que todos queremos, o bem do território e das populações.

Vai trabalhar com os eleitos dos outros partidos? Como vai organizar o executivo?

Ainda temos de conversar todos. Para já está tudo em aberto. Não é um caso único, há muitas câmaras onde não há maioria. Independentemente de qualquer tipo de acordo que venha a ser criado, ou não, o importante para Almada é termos sempre a noção de abertura, de diálogo e do envolvimento de todos para aproveitar a oportunidade que Almada tem neste momento, até pelo contexto que o país está a viver. Vai ser precisa a mobilização de todos.

Vai mesmo viajar todos os dias de cacilheiro entre Lisboa e Almada?

Acho que não me vão deixar, mas gosto muito de andar de cacilheiro, e é certamente o transporte mais rápido, eficaz e limpo entre as duas margens.

Quais são os projetos mais urgentes?

Muita coisa em Almada é urgente. A mobilidade é obviamente uma urgência. Com os candidatos do Partido Socialista, assinei um compromisso para o de­senvolvimento sustentável, sobretudo ao nível da mobilidade, que tem de ser vista dentro da Área Metropolitana de Lisboa. Outra questão primordial é a da eficácia da limpeza. Há dois grandes projetos para Almada que têm de avançar rapidamente, até porque têm um tempo de execução que é longo – os projetos da Margueira/Lisnave e do Ginjal. Ambos são essencialmente investimentos privados, mas importa que a câmara tenha uma visão a médio prazo. O projeto da Lisnave vai criar uma nova centralidade e os serviços têm de estar preparados. Há dois grandes contratos de concessão – dos TST e da Fertagus – que têm de estar finalizados até finais de 2019 e têm de ter em conta essa evolução. Nada disto pode ser tratado de forma isolada, mas sim ao nível de um plano integrado que junte a mobilidade, a reabilitação e os novos investimentos.

O desemprego continua a ser muito pesado no concelho?

Almada está com os piores resultados de Lisboa e Vale do Tejo na descida do desemprego, o que é incompreensível dada a situação geográfica. No último ano, tem piores resultados na retoma económica e do emprego do que o próprio Seixal, embora tenha mais potencialidades.

Tem 20 quilómetros de praias. Vai apostar no turismo?

Propomos o programa Costa Todo o Ano. O turismo massificado já não é solução, queremos apostar num turismo de qualidade e diversificado, desde a praia ao turismo desportivo e religioso. O Cristo Rei é o segundo monumento religioso mais visitado do país, mas isso não tem reflexos em Almada. Há que aplicar medidas, umas complicadas, outras simples, como o ordenamento do espaço, a sinalética, a reorganização de serviços eficazes e próximos.

Grande parte da população de Almada trabalha fora do concelho.

Muitos jovens disseram-nos que gostam de viver e estudar aqui, querem continuar mas não conseguem emprego. Não basta dizer que se apoia o empreendedorismo ou fazer startups. Tem de haver apostas específicas. Já existe o Madan Parque, ligado à FCT e que inclui as câmaras de Almada e do Seixal, um ninho de empresas ligadas à tecnologia. Agora queremos investir na responsabilidade social, que passa pelo desenvolvimento sustentável e pelo serviço a pessoas, com novos serviços que estão a surgir.

Vai apostar nos dois grandes festivais – o de teatro e o Sol da Caparica?

Claro. Almada tem o maior festival de teatro do país, uma referência – o Festival Internacional de Teatro de Almada. Não pondo em causa a sua ótima matriz artística, gostaria que invadisse as ruas e mobilizasse todo o concelho, tornando-o central nas festas de Almada, que poderá ser a grande cidade criativa das artes performativas. A aposta na cultura, mesmo ao nível das políticas sociais, é muitíssimo importante. Mas há ainda uma medida proposta pela Juventude Socialista que gosto de salientar. Há um problema com a instalação dos estudantes do polo universitário e há um problema de envelhecimento e de isolamento da população. A ideia é apoiar um arrendamento intergeracional.

Jovens a alugar quartos em casas de pessoas idosas?

Exatamente. Gosto que tenha sido proposto pelos jovens, conscientes de que isto é cada vez mais importante: tentar resolver uma questão de habitação e ter também efeitos benéficos no combate ao isolamento e pelo envelhecimento ativo.

Veja mais em ::::> Diário de Notícias

Seo wordpress plugin by www.seowizard.org.