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Margem sul na mão de chineses

O projecto está orçado em 1.200 milhões de euros. A comercialização está a ser feita pela empresa pública Baía do Tejo, presidida por Jacinto Pereira

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O projecto de construção da primeira marina da margem sul do Tejo, em Almada, está agora nas mãos de chineses. Segundo o SOL apurou, os terrenos da antiga Lisnave, para onde a Câmara Municipal de Almada aprovou aquela obra, estão prestes a ser vendidos a um consórcio internacional, que tudo indica ser o Wanda Group, liderado por Wang Jianlin, apontado em 2013 pela revista Forbes como o homem mais rico da China.

O processo de venda está a ser conduzido pela Baía do Tejo (empresa detida pela Parpública, holding do Estado), que no mês passado enviou mesmo uma delegação àquele país asiático para concluir o mais rapidamente possível o processo de venda.

“Estivemos de facto em Pequim, em Outubro, a falar com os investidores” – avança ao SOL o presidente da Baía do Tejo, Jacinto Pereira, confirmando também que no Verão passado representantes do grupo de Wang Jianlin estiveram em Portugal, a visitar o local para onde existe um plano de urbanização aprovado desde 2009.

Este plano prevê uma mini-cidade para mais de 10 mil habitantes, semelhante à Expo de Lisboa, e tem como pólo central uma marina com lugar para 500 embarcações. Está ainda prevista a transferência do terminal fluvial de Cacilhas para a doca 13 e uma área bruta de 630 mil metros quadrados para construção – entre habitações, comércio, hotéis e um centro de ciência e tecnologia, entre outras infra-estruturas.

Crise dos ‘vistos gold’ pode afectar projecto

Jacinto Pereira diz que a venda dos terrenos está “para muito breve”, garantindo que não se trata de uma mera operação financeira de especulação imobiliária, mas de uma aposta no desenvolvimento da zona. “Temos como missão a promoção dos terrenos para encontrar investidores, o que herdámos da extinta sociedade Arco Ribeirinho Sul, em relação aos terrenos da Lisnave, mas também do Seixal (Siderurgia Nacional) e do Barreiro” (Quimiparque), explica o gestor, lembrando que em causa está um projecto de 1.200 milhões de euros.

Jacinto Pereira recusa confirmar o nome dos investidores, referindo apenas que surgiram na sequência da visita à China, em Maio deste ano, do Presidente da República, Cavaco Silva. Mas o SOL sabe que, de todos os possíveis investidores, incluindo outros chineses, o Wanda Group foi o que revelou maior interesse. A visita de responsáveis deste grupo aos terrenos de Almada foi acompanhada por elementos da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal).

Certo é que uma das apostas do futuro comprador, segundo fontes do sector, será no mercado imobiliário internacional, nomeadamente destinado aos chineses. “Como Portugal está em crise, a ideia é vender casas a chineses e outros estrangeiros”, diz uma fonte ligada ao processo, notando que a actual polémica em torno dos vistos gold – que serão um chamariz para a compra de imóveis de luxo nesta nova mini-cidade – pode afectar o projecto.

Jacinto Pereira admite que o futuro consórcio deverá apostar no mercado estrangeiro para conseguir vender imóveis para habitações e para fins comerciais.

FIL da margem sul por decidir

O plano de urbanização para a zona de Almada Nascente – que contempla esta mini-cidade e que obriga qualquer investidor a cumpri-lo – está aprovado pela autarquia desde 2009. No entanto, o prazo de validade foi já ultrapassado (era de três anos), o que permite ao investidor revê-lo e fazer alterações.

Qualquer projecto, porém, terá de ter luz verde das autoridades locais. “É preciso sempre licença da Câmara”, confirma ao SOL o presidente da autarquia de Almada, Joaquim Judas, que não esconde a desilusão por os antigos terrenos da Lisnave estarem neste momento sem uso. “Estão a ficar degradados”, avisa, esclarecendo que há algum tempo que a Câmara pediu autorização para, enquanto não se concretiza a venda, converter um mega-armazém ali existente numa espécie de FIL (Feira Internacional de Lisboa) da margem sul.

“Gostávamos de criar ali um espaço que promovesse a cultura desta região”, explica Joaquim Judas, acrescentando que a ideia está dependente de autorização do proprietário (o Governo) para avançar. “Está previsto na lei que se façam usos transitórios dos terrenos, o que implica usar por um certo período de tempo determinado espaço sem alterar nada, para não comprometer o plano de urbanização já aprovado”, acrescenta o autarca, frisando que o facto de ali nada se poder fazer está a ter “custos incalculáveis”.

Jacinto Pereira adianta que a Baía do Tejo esteve a avaliar o pedido da autarquia para accionar o uso transitório, tendo chegado à conclusão de que seria mais adequado ser o novo investidor a decidir. “Se não tivéssemos perspectivas de ter um investidor a curto ou médio prazo, podia fazer sentido avançar”, revela o responsável. Ou seja, a concretizar-se o negócio em vista, caberá ao grupo chinês decidir se, enquanto constrói a mini-cidade, permite que a Câmara ponha a funcionar a FIL da margem sul.

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Nasce o Lisbon South Bay para atrair investidores estrangeiros para Almada, Barreiro e Seixal

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A Baía do Tejo (BT), empresa do setor empresarial do Estado, e os municípios de Almada, Barreiro e Seixal uniram-se para atrair investidores estrangeiros e promover alguns dos terrenos que integram o projeto Arco Ribeirinho Sul. Nesse sentido, e após um estudo no qual foram realizadas mais de mil entrevistas, foi criado o “naming” Lisbon South Bay, que “vai levar a uma nova marca, que será agora trabalhada”, disse Jacinto Pereira, presidente do Conselho de Administração da BT.

De acordo com o responsável, que falava com o idealista/news à margem da apresentação do Plano de Marketing Territorial para o Arco Ribeirinho Sul, “o próximo passo é criar tudo aquilo que envolve a criação de uma marca”. ”Esta é uma marca forte, com base neste ‘naming’, com o objetvo de delinear um plano a nível de estratégia de marketing na promoção a nível nacional, mas sobretudo internacional. O objetivo é captar investimento”, contou.

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Quando questionado sobre se este era o timing ideal para lançar este novo “naming”, já que Lisboa é considerada uma cidade que está na moda, Jacinto Pereira referiu que os terrenos do projeto do Arco Ribeirinho Sul também estão na capital, mas “do outro lado do rio”. “O timing é ideal. O aumento muito grande da força da marca Lisboa obviamente que valoriza esta nova estratégia”, explicou.

Durante o evento, que se realizou no Museu Industrial Baía do Tejo, no Parque Empresarial do Barreiro, o presidente da BT disse que o projeto Arco Ribeirinho Sul “está vivo e com muita saúde”, tendo agora “uma nova dinâmica e uma nova realidade”. O objetivo é construir e promover “uma região de referência à escala internacional”, sublinhou.

“Há que potenciar estes territórios”

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, considera que foi dado “mais um passo importante no caminho de projeção destes territórios para o país e para a Área Metropolitana de Lisboa” e que o “naming” escolhido dá “força à estratégia” pretendida no futuro. “É preciso potenciar estes territórios, aproveitá-los e reabilitá-los. Queremos atrair mais investidores e mais investimento”.

“Governo devia estar aqui”

Já Joaquim Judas, presidente da Câmara Municipal de Almada, lamentou a inexistência de um membro do Executivo na cerimónia. “O Governo devia estar aqui”, argumentou, sublinhado que o objetivo é “ir para a liga mundial”, numa alusão à qualidade dos terrenos em causa e à grandeza de investimento que pode ser feito pelos futuros interessados.

Entre os terrenos do Arco Ribeirinho Sul que são vistos como tendo grande potencial estão os que em tempos albergaram a Siderurgia Nacional, a Lisnave e a Quimiparque. Poderá ser no Barreiro, por exemplo, que funcionará o futuro terminal de contentores de Lisboa. Já em Almada, nos terrenos da antiga Margueira, está projetada a Cidade da Água.

Clica neste link para saberes mais informações sobre o Plano de Marketing Territorial para o Arco Ribeirinho Sul e sobre o Lisbon South Bay.::::> Idealista

Almada, Seixal e Barreiro transformam-se em Lisbon South Bay

A designação escolhida “está como o Paracetamol para o Ben-u-ron, o Arco Ribeirinho Sul será sempre o nosso paracetamol”, explicou o autarca de Almada.

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Lisbon South Bay é o novo nome adoptado para os territórios da margem sul do Tejo, geridos pela Baía do Tejo, empresa pública do universo Parpública, e integrados no Arco Ribeirinho Sul.

O nome, apresentado esta quinta-feira pela administração da empresa e pelos presidentes das três câmaras municipais (CDU), resulta de um estudo de marketing em que foram realizadas mais de mil entrevistas, a entidades e pessoas da região, e tem como objectivo, segundo o presidente da Baía do Tejo, facilitar a promoção internacional dos parques industriais do Barreiro e Seixal, e a Cidade da Água projectada para os terrenos da antiga Margueira, em Almada.

A opção por uma designação em língua inglesa foi justificada por Jacinto Pereira com a necessidade de um “posicionamento global” da estratégia que pretende “construir uma região de referência à escala internacional” e “atrair investimento e emprego”.

Os autarcas de Almada, Seixal e Barreiro, questionados pelo PÚBLICO, dizem não recear qualquer falta de identificação das populações destes concelhos com o nome em inglês. “Isto está como o Paracetamol para o Ben-u-ron, o Arco Ribeirinho Sul será sempre o nosso paracetamol”, disse Joaquim Judas, presidente da Câmara de Almada. Carlos Humberto, do Barreiro, acrescentou que “aquilo que interessa às populações é que se consiga atrair investimento, o que as pessoas querem é emprego”.

A designação Lisbon South Bay envolve apenas três dos seis municípios que integram o projecto Arco Ribeirinho Sul, por serem aqueles em que a Baía do Tejo detém territórios, e foi seleccionada entre 70 hipóteses iniciais por mostrar facilmente a localização geográfica. “É fácil, para qualquer investidor, encontrar Lisboa, o sul do Tejo e a baía”, defende Joaquim Judas.

O autarca do Seixal, Joaquim Santos, diz esperar que, com o novo plano de promoção, de que o nome é apenas o “primeiro passo”, a margem sul do Tejo passe a ser vista “não como um deserto, como se dizia há uns anos, mas como um oásis para investimento”.

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