5 de Outubro 1910 em Almada

por Artur Vaz

ALMADA REPUBLICANA

.O jornal republicano A Capital, em edição de 4 de Outubro de 1910, noticiava:“A vila de Almada já proclamou a República, desfraldando a bandeira republicana no alto do Forte, na Câmara e na Administração”.

À 1 hora da madrugada do dia 4 de Outubro, começou-se a ouvir, em Almada, aos primeiros tiros das peças dos navios de guerra São Rafael e Adamastorque, ancorados no Tejo, aderiram à revolução.

O povo almadense acordou e dirigiu-se, maciçamente, para a alameda do Castelo, acompanhado pelos republicanos, José Justino Lopes, Manuel Parada, Marcos Assunção e tantos outros, na tentativa de observar o que se estava a passar em Lisboa.

Em Cacilhas acorreu grande número de populares, apoiantes da República, pretendendo embarcar para a outra margem do Tejo.

Repentinamente, apoiantes da revolução organizaram uma manifestação, a caminho das fábricas de Cacilhas, Margueira, Mutela e Caramujo, incitando o operariado a festejar.

Nessa jornada de festa e alegria juntaram-se vários elementos das bandas musicais das filarmónicas das colectividades Incrível e Academia Almadense, entoando em conjunto o hino revolucionário e em fraterna comunhão, dirigindo-se então para os Paços do Concelho, onde foi hasteada a bandeira do Centro Republicano Elias Garcia, proclamando assim a República em Almada.

Depois, a enorme multidão dirigiu-se em direcção à então Calçada da Pedreira, onde, num dos seus prédios morava o tenente João Baptista Henriques – responsável militar pelo Forte de Almada – pedindo-lhe autorização para hastear a bandeira da revolução.

Perante resposta positiva, a multidão transportou o oficial em ombros até ao Forte e aí, perante o seu juramento moral, foi içada no mastro a bandeira verde e rubra.

No dia seguinte foi nomeada uma Junta Revolucionária que se reuniu pela primeira vez, tomando várias resoluções com o conhecimento do povo almadense que, euforicamente, pelas ruas dava vivas à República e cantava a Marselhesa, enquanto que em Lisboa era proclamada das varandas do edifício da Câmara Municipal, perante o júbilo de uma multidão que ouvia de José Relvas a implantação de um regime mais justo e defensor dos ideais: Liberdade, Democracia e Fraternidade

.Fonte: “Cantinhos e Memórias do Concelho de Almada”, Edição da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, 2005, de Artur Vaz.

Foto: Grupo de republicanos do Centro Republicano Capitão Leitão (Almada), extraída da obra “Proclamação da República em Almada”, Edição da Câmara Municipal de Almada, 2011, de Alexandre M. Flores e António N. Policarpo.

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