Setúbal – Maria das Dores Meira nos 40 anos do 25 de Abril

«Queremos, acima de tudo, ter a possibilidade de viver com dignidade»
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A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, apontou esta manhã, nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, a necessidade de lutar por um país com futuro que dê trabalho e dignidade aos portugueses.

A luta, durante a ditadura, pela liberdade e a democracia, pela justiça e pelo desenvolvimento, é hoje substituída pela luta contra uma realidade que, referiu a autarca na sessão solene comemorativa da Assembleia Municipal de Setúbal, não é possível esconder com “uma novilíngua” formada por palavras que contradizem as dificuldades vividas pelos cidadãos.

Neste léxico dos “modernos mercadores” e dos “neoliberais sem freio”, ilustrou, despedimentos passaram a ser “requalificações” ou “libertações”, cortes de salários são “ajustamentos”, reduções das pensões exprimem, afinal, “correções” ou “contribuições extraordinárias de solidariedade”, mais desemprego é igual a “reforma do Estado” e medidas definitivas significam “medidas temporárias”.

Se o regime fascista, “mesmo com violência e repressão”, não conseguiu “cortar a raiz ao pensamento”, a tentativa, 40 anos volvidos sobre o 25 de Abril de 1974, de “tão profunda transformação estrutural” por “via simbólica” também é incapaz, segundo Maria das Dores Meira, de impedir os portugueses de pensar.

“Não houve, nem haverá, machado que nos corte a raiz ao pensamento, há 40 anos, como hoje. Abril demonstrou-o com a alegria que as revoluções comportam, com a dignidade que só os povos conhecem”, assinalou a presidente da Câmara Municipal de Setúbal.

É tempo, acrescentou, de questionar o caminho apontado, de interrogar se a Revolução foi uma linha contínua ou se a realidade atual demonstra uma inversão de marcha que deve ser travada. “A resposta a esta questão é fácil e resulta de um imperativo de consciência: claro que temos o dever de travar este retrocesso! É o que faremos porque a história não acabou.”

A autarca defendeu que este dia de festa deve ser usado para afirmar a capacidade de construir uma sociedade melhor e mais justa, que acabe com as desigualdades e respeite os direitos políticos, sociais e económicos alcançados. “Queremos, acima de tudo, ter a possibilidade de viver com dignidade.”

Maria das Dores Meira afirmou que comemorar Abril “é também comemorar a inigualável obra que o Poder Local Democrático fez em todo o País”, considerando que as câmaras municipais e as juntas de freguesia são “os principais responsáveis pela correção das abissais diferenças de desenvolvimento entre os grandes centros urbanos e um interior que foi, durante demasiado tempo, esquecido e desprezado”.

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